segunda-feira, 8 de março de 2010

Chapada dos Veadeiros – Viajantes do Cerrado

Desde que meu amigo mochileiro Elvis veio pela primeira vez à Brasília (ver relatos abaixo), nós dois e o Thyago conversamos sobre um novo orkontro/mochilão. Dois meses e meio depois do primeiro encontro, com muitas tarefas do dia-a-dia, acabei não pensando muito nisso. Por outro lado, os outros dois estavam combinando e pesquisando tudo para um passeio pela Chapada dos Veadeiros – GO.
Elvis sairia de mochilão pelo Centro-Oeste e Nordeste do país, e queria que sua primeira parada fosse nesse Parque Nacional. Em um primeiro momento, minhas condições financeiras não pareciam favoráveis, então nem me animei. Porém, conforme o dia foi se aproximando, eu me animei bastante e decidi ir, mesmo que me custasse outras coisas.
Minha mãe me deve uma grana e eu pedi que ela conseguisse o dinheiro para eu viajar. Resultado: sexta à noite, véspera de viagem, ela não tinha conseguido. Além de tudo, tinha sido um dia muito estressante no trabalho, então desisti de tudo, claro, com muita raiva.
Thyago já tinha ido de carro para a Chapada na sexta de manhã, com a Manu de SP, também da comunidade e minha companheira no meu primeiro mochilão, e outros amigos não-mochileiros, mas aventureiros (Suzi, Caio, Fernando, Luiz e Janaína).
Eber viria com Elvis e Lis de SP, porém perdeu o ônibus por 10 minutos. O problema foi o terrível trânsito de São Paulo, que o fez demorar mais de 3 horas para chegar à rodoviária do Tietê. Novamente não foi dessa vez que ele veio para o Planalto Central.
Sobre Elvis e Lis, eu praticamente não tinha informações sobre eles, somente sabia que eles estavam a caminho.
Todo mundo indo para a Chapada e eu, em casa, sem saber o que fazer no feriadão.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Paulistano no Cerrado – I Orkontro Mochileiro (2/2)

O objetivo era ir ao Parque Nacional de Brasília, popularmente conhecido como Água Mineral, já que viriam poucas pessoas e não tínhamos certeza se teríamos à disposição um carro. Raiele, informadíssima, nos lembrou/informou que o Parque estava fechado. O que vamos fazer agora? Mesmo com o IPVA não-pago, como boa parte dos brasileiros, minha mãe acabou emprestando o carro (orando para que não encontrássemos uma blitz no caminho) para irmos ao Salto do Corumbá, passeio decidido pouco antes de dormir. Este havia sido um dos lugares propostos para visita e colocado em uma enquete na comunidade.


A ida foi até bastante silenciosa, acredito que mais por um soninho geral, já que 6h da manhã estávamos em pé (mesmo que acordado aos sustos, como foi o caso do Thyago ao me ver na janela, e eu nem estava bagunçado). Duas paradinhas no caminho – para comer (e ter energia para as atividades do dia) e para tirar umas fotinhas (mochileiro na estrada!).
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Não demorou muito. 2h saindo da minha cidade – Gama. Aproveito para dizer (o que ainda não havida dito) que o Thyago é um motorista muito bom! Em nenhum momento senti que morreria, seja em vias locais ou rodovias.
Ao chegar já fomos atrás da trilha que levava à cachoeira. Neste momento realmente começaram as fotos e a aventura. A trilha era bem clara, mas havia algumas subidas e descidas, e ainda nos metemos com alguns caminhos paralelos (para chegar ao alto da cachoeira) bastante íngremes. Elvis, coitado, com seu mochilão, sofreu um pouquinho. Contudo, como até comentamos, a parceria nessas horas é de bastante valia.
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Paisagens muito bonitas encontramos pela trilha, principalmente quanto mais subíamos. Alguns precipícios também surgiram. Em uns me sentia mais confiante de chegar perto, em outros passei longe. Thyago foi corajoso ao chegar perto de um abismo, mas também estava bem preocupado com cobras e calangos durante o dia.


Depois de já andar bastante e ver as quedas de por vários ângulos, resolvemos cair na água. Depois de alguns escorregões, cheguei à água, que estava fria, mas bem gostosa com o tempo quente. A queda é bastante forte para ficar embaixo e até que deu para curtir bem a cachoeira.
O próximo destino foi a gruta, com água a uns 10°C. Era tão fria que, em um primeiro momento, fazia os pés doerem, a ponto de não agüentar ficar com eles imersos. Depois de pensar bem, mas com vontade de superar os obstáculos, eu e Thyago entramos na água con-ge-lan-te. Foi ótimo, era só não parar de nadar. Depois de um tempo o frio diminuía. Depois de mais um tempo você ficava dormente, e era a hora de sair da água.
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O caminho alternativo para sair era sair pela grutinha e atravessar uma fresta no paredão. Quem tem fobia de lugares fechados é melhor nem arriscar. Quem está acima do peso também não – só ouvi uma senhora dizer: “Meu filho mais cheinho conseguiu entrar, só quero ver ele sair sem ser pela água!”.
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De lá, para finalizar, fomos na piscina onde havia dois tobogãs. Anos que não íamos a um. E por sinal nas filas só encontrávamos jovens e adultos. Lógico que foi diversão garantida por 4 descidas.
Após passar em uma pontezinha que em um primeiro momento os outros dois ficaram um pouco receosos, e o Elvis copiar as fotos da minha câmera na administração do lugar (e quase esquecer o pen drive no local), infelizmente já era hora de ir embora, caso contrário o Elvis poderia perder o ônibus.


A volta também foi até bastante silenciosa, talvez dessa vez porque todos estávamos cansados, reflexivos com os acontecimentos do dia ou contemplativos com as paisagens do Goiás que passavam pela nossa janela. Atrevo-me a dizer (sem consultar os outros dois) que a música da viagem foi I got a Feeling, do Black Eyed Peas. Ouvimos vários reggaes legais do celular do Elvis também, mas acredito que essa foi a música mais executada no dia.
Para terminar o dia, o Elvis não havia conseguido confirmar a poltrona no ônibus, nem tinha feito uma reserva prévia. Nem preciso dizer – os ônibus (cinco de 4 empresas diferentes) estavam todos lotados. Fiquei um pouco preocupado, já que tinha de voltar a tempo para trabalhar na segunda-feira, mas ele estava até tranqüilo – depois percebi que ele comeu os biscoitos que tinha entregado para levar na viagem nesse momento, e me pergunto se comer não era uma forma de descarregar a tensão/preocupação. Finalmente ele conseguiu outro ônibus – saiu de Brasília em uma poltrona, espero que não tenha parado no corredor em algum momento do trajeto. E esta também é outra história para ele relatar.

Eu particularmente, como um anfitrião mais responsabilizado (já que minha casa foi hospedagem, o carro da minha mãe foi um dos transportes, etc.), assumo que inconscientemente fiquei um pouco tenso durante todo o orkontro, torcendo pelo melhor, mas esperando que a qualquer momento acontecesse o pior. Depois de voltar para o Gama e ver o Thyago partindo em um ônibus de volta para Taguatinga, senti uma felicidade grande e um alívio. Graças a Deus não aconteceu nada além desses probleminhas de transporte do Elvis, que rendeu algumas histórias.
Somente espero que outros orkontros venham pela frente e que cada vez mais pessoas participem conosco desses momentos de alegria. Algumas pessoas nos devem uma visita!

Depois de um banho quente reconfortante, às 8h30, cai na cama pensando:
I got a feeling that today was a good Day!

Paulistano no Concreto – I Orkontro Mochileiro (1/2)

Na sexta (24.07), o ônibus Fidelidade* (não Felicidade, como o Thyago achava) sairia às 17h de SP – praticamente o horário que o Elvis saiu do trabalho, rezando para não perder. Nem precisava ter pago um táxi. O ônibus estava quebrado. Resultado: depois de mais de 5h e meia de espera, o paulistano consegue embarcar, pagando um pouco mais barato ainda (pelo menos!). Banheiro? Não tinha, pois as malas bloqueavam a entrada. Companhia de viagem? Uma galinha (viva!) no meio dos passageiros. Mistério do caminho? Um senhor que conversava com o Elvis desceu em uma das paradas (somente para desembarque) e nunca mais voltou (foi embora ou foi esquecido?!). Mas estas são histórias para quem viveu relatar.
8h da manhã era o horário programado para o mochileiro chegar. Eu, meu pai e o Thyago estávamos lá na hora – para nada. Acabou que fomos buscar as coisas do Thyago em sua cada, rodamos Taguatinga atrás de um dominó que meu pai queria, demos uma volta nas Americanas, e esperamos. 13h foi mais ou menos o horário que finalmente o Elvis chegou... sozinho. Cadê o Eber? Decepção do orkontro – não que a presença dos outros fosse menos importante, mas ele havia confirmado presença. Por problemas trabalhistas, não pode comparecer. Infelizmente.
Saímos direto para o restaurante Alpinus, no Parque da Cidade, onde a Duda e sua amiga Raiele nos encontrariam. Foi um almoço bem agradável, apesar de corrido, pois o cronograma estava apertado e meu pai teria que voltar para casa, depois de nos deixar no Santuário Dom Bosco (primeiro ponto turístico visitado, que viemos descobrir estar em reformas, porém parece que é/vai ficar muito bonito).


Uma caminhada passando pelo shopping (de alguns suicidas) Pátio Brasil, hospital Sarah Kubitschek, e após algumas explicações sobre o planejamento urbanístico de Brasília (coisa que tentamos explicar muitas vezes durante o dia, e não tenho certeza se ficou bem claro), chegamos na Torre de TV, com sua fila enorme debaixo de um sol escaldante. Ao menos lá em cima (mirante a 75m de altura) um vento super agradável batia.


A pilha das meninas logo acabou (também foram de saltos plataforma) e elas ficaram no meio do caminho – na Rodoviária de Brasília. O Clube do Bolinha seguiu totalmente animado, batendo várias fotos. O Elvis todo inspirado com a luz de fim de tarde naquela planície verde e branca com o céu bem azul.


Logo anoiteceu e as câmeras sub-profissionais não podiam exercer seu melhor desempenho. Algumas obras, como Os Candangos, quase não deram para ser vistas. Acabamos brincando de escorregar com papelão pelo gramado ao lado do Congresso Nacional e admirar a Esplanada de noite.


Ficou para o próximo orkontro: interior da Catedral (não deu para tirar muitas fotos, pois estava acontecendo uma missa); exterior da Catedral (não dava para ver completamente porque está em obras); visita ao interior do Museu Nacional e do Congresso Nacional; Teatro Nacional (sem iluminação e em reformas); Memorial e Ponte JK; Lago Paranoá; Pontão do Lago; dentre outros lugares – resumindo, ainda tem muito o que ser visto em uma próxima visita.


A noite terminou no barzinho tradicional de Brasília, considerado um dos melhores happy hours de Brasília pela Revista Veja – Libanus (perdão pelo merchandising!). Comemos pouco e acabamos ficando pouco tempo lá. Acredito que nem deu para ver realmente como é a noite na Capital Federal. Também fica na conta para um próximo orkontro (com mais tempo). Hora de voltar para casa e dormir. Era mais de 1h da manhã quando ficamos inconscientes.
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