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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ah, o Amor! - Índice

Depois de mais de um ano e meio, finalmente a série chegou ao fim. Refleti muito sobre o assunto antes de escrever cada texto, e espero ter feito vocês pensarem sobre o amor também. Abaixo segue uma mensagem que gosto bastante e os links de todos os posts. Obrigado pela paciência.

“Eu queria sair por aquela porta e conhecer alguém. Assim, sem precisar procurar no meio da multidão. Alguém comum, sem destaques evidentes, sem cavalos brancos ou dentes perfeitos. Alguém que soubesse se aproximar sem ser invasivo ou que não se esforçasse tanto para parecer interessante. Alguém com quem eu pudesse conversar sobre filosofia, literatura, música, política ou simplesmente sobre o meu dia. Alguém a quem eu não precisasse impressionar com discursos inteligentes ou com demonstrações de segurança e autoconfiança. Alguém que me enxergasse sem idealizações e que me achasse atraente ao acordar, de camisa amassada e sem maquiagem. Alguém que me levasse ao cinema e, depois de um filme sem graça, me roubasse boas gargalhadas. Alguém de quem eu não quisesse fugir quando a intimidade derrubasse nossas máscaras. Eu queria não precisar usá-las e ainda assim não perder o mistério ou o encanto dos primeiros dias. Alguém que segurasse minha mão e tocasse meu coração. Que não me prendesse, não me limitasse, não tornasse o relacionamento uma obrigação, mas o melhor dos prazeres. Alguém com quem eu pudesse aprender e ensinar sem vergonhas ou prepotências. Alguém que me roubasse um beijo no meio de uma briga e me tirasse a razão sem que isso me ameaçasse. Que me dissesse como eu canto e que eu falo demais e que risse das vezes em que eu fosse desastrada. Alguém que me olhasse nos olhos quando fala, sem me deixar intimidada. Que não depositasse em mim a responsabilidade exclusiva de fazê-lo feliz para com isso tentar isentar-se de culpa quando fracassasse. Alguém de quem eu não precisasse, mas com quem eu quisesse estar sem motivo certo. Alguém com qualidades e defeitos suportáveis. Que não fosse tão bonito e ainda assim eu não conseguisse olhar em outra direção. Alguém educado, mas sem muitas frescuras. Engraçado e, ao mesmo tempo, levasse a vida a sério, mas não excessivamente. Alguém que me encontrasse até quando eu tento desesperadamente me esconder do mundo. Eu queria sair por aquela porta e conhecer alguém imperfeito. Feito para mim.”
[Autor Desconhecido]

 
Clique no título para abrir:
1-      Roleta Russa do Amor

2-      A Pessoa Ideal

3-      Sonhos Conjuntos

4-      Encantamentos e Paixões

5-      Mil Amores

6-      Famosa Alma Gêmea

7-      Casamento Para a Vida

8-      Relacionamentos Gays

9-      Sexo e Prazer

10-   O Mais Importante

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ah, o Amor! [10/10]

O MAIS IMPORTANTE

O amor apenas “surge” ou é uma escolha? Até que ponto é um sentimento natural/genuíno ou uma ação? Em que medida é um esforço pessoal ou obra do destino/acaso? Um casal passa anos juntos porque realmente se ama ou porque decidiu racionalmente unidos ficar? Sempre me fiz esse tipo de questão. E nunca obtive uma resposta certa – nem deve existir. Provavelmente, o amor é obra de todas as circunstâncias citadas.
No mundo da fantasia, ele simplesmente acontece. Logo, muitas pessoas – incluindo-me – acreditam e esperam que seja da mesma forma no mundo real. Idealizamos o primeiro encontro, a perda da virgindade, o casamento, a lua de mel, a convivência... Decepção programada desde nossa infância. É necessário um “reboot” – reprogramar e reiniciar o imaginário social em relação aos relacionamentos. 

- O que você vai fazer mais tarde?
“Diga que vai estar ocupado.”
- Nada especial – respondeu.
- Então vamos fazer alguma coisa? Quer dizer, nós dois?
“Espere ela dormir e saia de fininho.”
- Sim. Tudo bem – concordou. – Vamos fazer alguma coisa.

O racional ajuda a moldar o emocional. Talvez você fique um pouco decepcionado como eu ao fazer essa constatação, já que o amor não é algo completamente sobrenatural, “escrito nas estrelas” e sublime. Muitas situações devem ser ponderadas e escolhas feitas. Como no trecho literário acima, as primeiras decisões podem se tornar determinantes para o prosseguimento e fim da história. Dê oportunidades para se envolver.
Em um relacionamento, ambas as partes devem fazer uma opção para ficarem juntos por muito tempo: querer lutar pela relação. Ao longo desta série, que chega ao fim, foram citadas inúmeras ações que contribuem para fortalecer o namoro/casamento, e ainda há muitas outras.

Existem cinco pilares que mantêm o amor vivo – três já foram citados nos textos anteriores. Nenhum relacionamento tem futuro se faltar uma dessas bases. Eis:
1.       Confiança: nas ações e sentimentos do companheiro. A princípio, significa acreditar na fidelidade, mas é também entregar-se sem reservas; ter fé; dar crédito; esperar pelo outro; ter segurança; poder compartilhar segredos; saber que ele não vai te abandonar nas horas difíceis, pelo contrário, vai te ajudar, apoiar, incentivar, etc. Ter confiança é caminhar pela fé, não pela visão ou demais sentidos – assim como é a crença em algo superior, em Deus.
2.       Respeito: como dito antes, violência física e psicológica são o fundo do poço, uma linha que depois de cruzada não tem mais volta. Este pilar também é saber o que dizer (ou não) na hora certa; agir corretamente; saber tratar o companheiro na frente dos outros; honrá-lo, dar valor e importância; ter consideração e apreço; reconhecer e respeitar a individualidade e o espaço alheio – assim como tratamos nossos pais.
3.       Admiração: pelo “algo a mais” que você perceberá no parceiro. O dicionário diz que é “o sentimento de deleite, enlevo ante o que se julga nobre, belo ou digno de amor”. Encantar-se com a beleza, a inteligência, os talentos, o modo de agir ou falar, por exemplo; inspirar-se no outro a ponto de querer crescer sempre mais como pessoa; desejar o melhor; reverenciar e elogiar; ter orgulho e falar com “brilho nos olhos” (“Essa é minha garota, eu a amo!”) – assim é como todo mundo quer ser tratado pelo companheiro.
4.       Cumplicidade: companheirismo; poder compartilhar todos os momentos da vida; estar sempre do lado, o famoso “pau para toda obra”; não desistir, mas acreditar; ter intimidade; contar com o outro para tudo, uma verdadeira parceria, tendo e dando apoio; criar um laço – assim como buscamos essas características em um amigo.
5.       Dedicação: sem isto, brotará a comodidade e todos os quatros pilares anteriores podem ruir (traição, desrespeito, ódio, afastamento, etc.). Alimentar o sentimento; gastar/compartilhar tempo com o próximo; abrir mão de algumas coisas (abnegar-se); oferecer-se em voto e com afeto; pôr-se a serviço; importar-se com os sentimentos alheios e buscar conhecer sempre mais o companheiro; elogiar, dar flores, passear, sair para jantar, presentear, fazer surpresas e viagens, enfim, todas essas coisas deliciosas que não levam à monotonia – assim como os possíveis futuros filhos exigirão também essa entrega.

Summer - Eu não acredito em amor.
Tom - Porque não?
Summer - Porque ele não existe!
Tom - Como sabe que ele não existe?
Summer - Como sabe que ele existe?
Tom - Vai saber quando sentir.

Summer – Apenas aconteceu [de me casar]. [...] Eu acordei um dia e soube.
Tom - Soube o quê?
Summer – O que eu nunca tive certeza com você.

Tom – Sabe o que é uma droga? Perceber que tudo em que você acredita é uma mentira. [...] Sabe, destino, almas gêmeas, amor verdadeiro e todos aqueles contos de fadas infantis.
Summer – [...] Eu estava sentada numa doceria lendo Dorian Gray, um cara chega para mim, me pergunta sobre o livro e agora ele é meu marido.
Tom – É, e daí?
Summer – E daí... E se eu tivesse ido ao cinema? E se eu tivesse ido almoçar em outro lugar? E se eu tivesse chegado 10 minutos mais tarde? Era… era pra ser.

Narrador – Você não pode atribuir um significado cósmico a um simples evento terreno. Coincidência. É o que tudo é. Nada mais que coincidência. Tom finalmente aprendeu que não existem milagres. Não existe essa coisa de destino. Nada é para ser. Ele sabia. Agora ele tinha certeza disso.
[filme “(500) Dias Com Ela”, 2009]

Seja você crente no destino (como o personagem Tom) ou no acaso (como a Summer), ou mude de ideia (como ambos) ao longo do tempo, nada muda a necessidade de se preservar os citados cinco pilares. Comece um relacionamento levando-os em consideração e tendo certeza de que é a pessoa certa para a sua vida, ao menos naquele momento.
Parece que a maioria das pessoas não tem noção da relevância de um cônjuge. Algumas preferem ficar solteiras (e tudo bem!), outras casam pelos motivos errados e há ainda as que acreditam ser possível trocar de marido/esposa a qualquer momento. Está na hora de dar valor a quem merece.
“Não é bom que esteja só, farei alguém que o auxilie e lhe corresponda”. Se você acredita nesse relato, uma pergunta: por que Deus criou um “parceiro” (que fica no mesmo nível em uma árvore genealógica) e não um “descendente” (em um nível abaixo) para fazer companhia ao homem? Porque o parceiro é o único que permanece ao longo dos anos.
Os pais são de extrema importância na primeira etapa de qualquer vida – eles sustentam as crias, dão educação, carinho e atenção. Mas todo passarinho precisa sair de baixo das asas dos progenitores e dar seus próprios voos. E, comumente, os pais partem antes dos filhos. Já o amor por um filho é eterno e o mais forte que existe. Porém, assim como um dia você seguiu seu próprio caminho, assim seus descendentes o farão também.
Seus pais ficarão para trás. Seus filhos partirão à sua frente. Você estará sozinho. A não ser que a seu lado tenha um cônjuge, que te ampare na perda de seus velhos e na despedida de sua prole. É ele quem vai te compreender e estar sempre ao seu lado. Pelo menos deveria ser desta forma. Pelo menos assim espero que seja em minha vida. Dê valor a essa pessoa!
A verdade é que só queremos uma única coisa, o mais importante: ser feliz.

Últimos adendos:
- Traição: perdoável em determinadas situações – se for um caso isolado, se não houver reincidência, por exemplo. Cada caso é um caso. Cada pessoa sabe o que sente, amor ou ódio. Quando se ama de verdade, o problema não é nem perdoar, mas sim a volta. A confiança perdida possivelmente nunca será recuperada. É a falta dela que pode acabar com o relacionamento. Perdoaria uma traição? Sim ou não, nunca diga nunca. Apenas jamais se humilhe pelo outro. Tenha autoestima e procure alguém melhor, se for o caso.
- Ciúmes: um pouco é super saudável para a relação. É bom saber que o outro se preocupa, tem medo de te perder e cuida do que é seu. Mas fuja dos muito ciumentos, tenha medo desses psicopatas. A partir do momento em que sua vida começar a ser talhada pelo outro, o negócio já não está bom. E, afinal, ou há confiança (um dos pilares essenciais) ou não há.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ah, o Amor! [9/10]

SEXO E PRAZER

Cada um tem a sua verdade e sabe o que é melhor para si. Então é bom deixar claro que tudo não passa de uma opinião pessoal. Afinal, falar de sexo e prazer é abordar um tema muito íntimo, particular. Somente entre quatro paredes ou quando se está sozinho é que algumas pessoas conseguem se liberar de verdade. Na mente podem acontecer coisas impronunciáveis em voz alta. Entretanto, é verdade que há pessoas que, por diversos motivos (cultura, religião, geração), evitam a todo custo esses assuntos. Pena delas.


Sexo é a gênese da vida, sempre fez parte das relações humanas – seja para procriação ou prazer. É triste perceber que, ainda hoje, alguns acreditam que o intercurso sexual só sirva para o primeiro propósito citado. Contudo, o prazer também não deveria ser o único aspecto levado em consideração na hora de ir para a cama com um parceiro.
Sim, existe outra razão para transar com alguém além de fazer filhos ou de ter orgasmos. Eis: conectar-se com a outra pessoa! E este deveria ser o principal motivo ao se decidir ter relações sexuais. Não é necessariamente transar apenas quando está amando, muito menos somente após o casamento (é interessante fazer o test-drive! Vai que não rola sintonia...). Contudo, também não é pra se tornar um Wi-fi sem senha – qualquer um pode se conectar, basta estar dentro do alcance da rede.
É possível adquirir prazer de diversas maneiras – sozinho; com uma, duas ou três pessoas; em grupo; com um animal; com objetos; até com dor para alguns. No entanto, nem tudo é válido, é legal (aqui se trata de legalidade mesmo), faz bem para o corpo ou vale a pena. Cada um (ou cada casal) tem que se perguntar até que ponto compensa ir atrás da satisfação carnal. Parece ser muito egoísmo fazer qualquer coisa apenas para ter um orgasmo – sem ter valores e princípios para tomar como base.

Se for uma necessidade física – se estiver subindo pelas paredes –, em vez de pegar o primeiro que encontrar na rua, há outras formas de suprir essa necessidade. Será que vale a pena se entregar para qualquer pessoa? A série Glee – em uma conversa simples, mas muito bacana entre o pai Burt e o filho gay Kurt – apresentou alguns pontos interessantes: “Para maioria dos caras, sexo é o que sempre quisemos. É divertido. Te faz sentir ótimo. Mas não estamos falando muito em como te faz sentir por dentro ou como a outra pessoa se sente em relação a isso. [...] Você só precisa saber que isso significa algo. Algo está acontecendo com você, com seu coração, com sua autoestima. Mesmo que pareça só diversão. [...] Quando estiver pronto, eu quero que seja capaz de fazer tudo. [...] Quero que você possa encontrar um jeito de se conectar com a outra pessoa. Não durma com alguém por dormir, como se não importasse. Porque você é importante”.
É tão diferente transar com alguém que você curte (sente algo) de transar apenas pelo prazer momentâneo. Pode ser uma crença piegas por parte deste que escreve, mas o sexo é algo tão simbólico. Uma pessoa está literalmente dentro da outra. Pode haver troca de fluidos: sangue e “vida” (esperma). E um corpo acaba absorvendo uma parte do outro. Então repito: vale a pena se entregar para qualquer pessoa dessa forma?
O espírito é forte, mas a carne é fraca. Ok. Você quer curtir a vida e/ou experimentar coisas novas. Ok também. O importante mesmo é fazer sexo seguro! Não sei se você hibernou nas últimas décadas, mas fique sabendo: doenças sexualmente transmissíveis não são exclusivas de homossexuais, ok?! Então se proteja e seja feliz com o que acredita! Faço minhas as palavras da Madonna na música “Justify my Love”: “Pobre é o homem cujos prazeres dependem da permissão de outro”.
 
 
Observação: No último post falei de relações homossexuais. A coisa é tão complicada para os gays que, até mesmo encontrando a pessoa ideal (depois de sofrer e orar muito por um milagre), ainda é preciso ter uma compatibilidade funcional na hora do “bem-bão” – se é que me entendem. Por isso não reclamem, héteros! Tudo é mais fácil para vocês.

Último post: O Mais Importante

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ah, o Amor! [8/10]

RELACIONAMENTOS GAYS
Desculpem-me as lésbicas, mas não tenho conhecimento e propriedade para falar de relacionamentos entre mulheres.
Se já é complicado para um heterossexual encontrar um verdadeiro amor, imagine para um gay. Eu te garanto: a luta é maior ainda. Primeiro, porque, proporcionalmente, a quantidade de homossexuais no planeta é bem menor que a de héteros. Os mais positivos dizem que são 10% da população. Segundo, para complicar, como descobrir quais jogam no seu time? Teoricamente, um homem pode paquerar uma mulher e encontrar sua parceira em qualquer lugar, sem problemas (inclusive em boates GLS, afinal, “toda mulher precisa de um amigo gay”, e este a leva para as baladas). No máximo, o cara vai levar um fora. Agora vai um homem paquerar qualquer outro na rua, no metrô, na padaria ou no banco. Tem que ser muito macho para ter coragem.
Todo homossexual precisa ter o “gaydar” (radar para detectar gays) por este motivo. Não pode haver a possibilidade de fazer uma investida no alvo errado. Em alguns casos, poderia até mesmo correr risco de morte. Mas o gaydar somente detecta os homens que, em algum momento, demonstram ter uma orientação sexual incomum. Quantos outros não passam despercebidos pelos radares? Quantos estão escondidos nos armários?
A internet e as boates GLS – por mais ressalvas que possa haver – acabam se tornando os principais locais para encontrar um companheiro. Porém, são os ideais? Antigamente, os guetos eram os únicos locais para conhecer iguais. Se alguém quisesse ser discreto, jamais poderia ser visto nesses lugares. A internet veio como uma salvação para os que querem anonimato (“quer dividir o armário comigo?”) e, principalmente, para os milhares de gays que vivem em localidades em que não há pontos de encontro da comunidade LGBT. Inúmeros homossexuais acreditavam serem os únicos no mundo até a chegada da rede mundial de computadores. Alívio e felicidade para esses.
Digamos que o Jake sabe onde tem chances de conseguir um amor. [Vamos usá-lo como personagem do texto] Agora pronto. Se ele sabe em quais locais os gays estão, pode paquerar sem problemas e sair de lá com uma paixão, correto? Mas os amigos que o Jake fez o alertam: relacionamento gay não dura. Tratando-se de dois homens, é impossível haver fidelidade, afinal, o homem é mais sexual e promíscuo que a mulher. A solução é querer “pegar”, não casar. Até que ponto isto é verdade?
Os homens realmente são mais sexuais. Podem considerar papo machista, mas como homem, é a impressão que tenho. Contudo, este não é um motivo para justificar infidelidade ou qualquer outra atitude. O desejo sexual é totalmente controlável – basta querer. Porém, se um casal – homo ou hétero – quer ter um relacionamento aberto, a três, quatro, ou qualquer outro tipo alternativo, quem somos nós para julgar? Não concordo, mas devemos respeitar.
Vive-se um período de transição entre gerações, a meu ver, o que justificaria a atitude de parte dos homossexuais. Deixo claro que esta é uma teoria particular, sem nenhum fundamento a não ser minhas percepções. Eis: Por muitos séculos, um relacionamento amoroso e sexual estável entre dois homens não era sequer considerado. Após o movimento de contracultura e o fortalecimento da luta feminista pela igualdade de gêneros (anos 1960/70), as pessoas puderam viver um período de liberdade sexual sem limites e medo. Como consequência, a Aids ficou conhecida na década seguinte (anos 1980). Desinformação e preconceito ceifaram as vidas de muitos homossexuais. Seguiu-se um período de medo e paranóia – muitos querendo ficar longe de outros gays por medo de se contaminar e muitos ainda se expondo a riscos. Com a reabilitação do uso da camisinha (algo tão simples para se prevenir das DSTs) e do coquetel (para combater a doença), a próxima geração voltou a curtir os prazeres carnais mais protegidos e com menos medo. Resumindo: uma geração “morreu” sem poder viver uma vida gay plena, e a geração “pós-medo da Aids” quis aproveitar a readquirida liberdade.
A atual geração, por sua vez, cresce e vive sem modelos de relacionamentos homossexuais nos quais se espelhar. Quantos casais gays resolvidos, assumidos e felizes você conhece pessoalmente? Eu, nenhum. Creio que este é um período de transição, porque nem todos se deram conta da atual realidade. Muitos ainda vivem a liberdade sexual desmedida e, creio, vão se descobrir sozinhos na velhice – talvez porque um relacionamento estável nunca pareceu uma opção. Contudo, aos poucos, cada vez mais casais gays estão mostrando a cara e servindo de exemplo para os mais novos.
É de extrema importância que os homossexuais famosos assumam sua sexualidade e vivam seus relacionamentos de forma aberta – não os escondendo –, como qualquer famoso hétero faz. Fico muito feliz com exemplos estrangeiros, como o casal Neil Patrick Harris (da série How I Met Your Mother) e David Burtka; o ator T.R. Knight (da série Grey’s Anatomy) que namora às vistas; o cantor Lance Bass e os há pouco tempo assumidos Ricky Martin e Zachary Quinto, que fazem questão de mostrar quem são. Eles e alguns outros são exemplos para muitos homens.
Em um trecho do livro Salto Mortal, da autora Marion Zimmer Bradley, ambientado nos anos 1940/50 nos EUA, um dos personagens – um famoso ator – fala sobre o assunto: “Eu gostaria de viver em um mundo onde me pudessem fotografar com, por exemplo, o Tommy ao colo se eu quisesse. Para cada mulher que ficasse aborrecida por eu não estar, digamos, disponível para as suas fantasias românticas, haveria um garoto que leria os jornais e iria ao cinema, e que poderia deixar de detestar a si próprio e diria: ‘Muito bem, o Bart Reeder é bicha, feliz, bem-sucedido e está se dando bem, então, talvez, eu não precise me enforcar.’ E a taxa de suicídio cairia, e todos seriam felizes.” Sabemos que o suicídio de homossexuais é um problema sério, divulgado principalmente nos Estados Unidos.
No Brasil, infelizmente, praticamente não há famosos abertamente gays, muito menos com relacionamentos assumidos. Esta geração e a próxima precisam fazer sua parte e colaborar com as subsequentes. Atualmente, segundo os resultados preliminares do Censo 2010, o Brasil tem pouco mais de 60 mil casais do mesmo sexo declarados, o que corresponde a 0,1% do total. Esta informação pela primeira vez aferida pelo IBGE. Obviamente, trata-se de números subestimados, pois muitos casais não tiveram a coragem ou não quiseram assumir a relação. De qualquer forma, mostra que a união entre pessoas do mesmo sexo ainda é uma raridade no país.
Voltando à história do Jake, ele finalmente encontrou um amor – fiel, companheiro, carinhoso, etc. Tratando-se de um casal heterossexual, este poderia ser o “E viveram felizes para sempre!”, mas não é o caso. Existem grandes chances de a família não aceitar e, assim, o Jake não poder apresentar o marido aos pais ou levá-lo às reuniões familiares. Obviamente, eles não podem ter um casamento civil – com todos os seus benefícios –, como qualquer outro casal. No máximo, podem declarar uma união estável. Adotar filhos seria uma dor de cabeça, e muitos olhares e comentários de condenação seriam lançados a eles. Além de todas as possíveis situações de discriminação. Não é à toa que muitos casais preferem viver no anonimato. Ou, pior, muitos gays preferem não viver de forma alguma a própria sexualidade.
É Jake, no entanto, quem vai abrir precedentes para a próxima geração. É ele quem vai mostrar que é possível viver um relacionamento gay em sua plenitude, como qualquer outro. Hoje pode ser difícil viver uma relação homossexual, mas se temos essa possibilidade é graças aos antepassados que iniciaram a batalha. Resta-nos seguir em frente.

Observação: As fotos em preto e branco que ilustram este texto são da revista gay americana Out, edição de fevereiro deste ano. Na capa, estão os citados atores Neil Patrick Harris e David Burtka. Eles estão juntos desde 2004 e, em 2010, tiveram filhos gêmeos por meio de barriga de aluguel. Com a aprovação do casamento gay em Nova York no ano passado, eles anunciaram o noivado.
Próximo post: Sexo e Prazer

Ah, o Amor! [7/10]

CASAMENTO PARA A VIDA

“Você quer se casar comigo?” Eis uma pergunta que muda muita coisa. Alguns anseiam por ouvir essas palavras, outros as temem e ainda há os que não estão preparados para ouvi-las. Muitos deram uma resposta positiva e estão muito felizes. Muitos não.
O primeiro passo rumo à felicidade é receber o pedido dA Pessoa. Nunca fiz ou recebi, mas, ao que parece, é muito comum haver dúvidas. Afinal, é um passo muito grande a ser dado. Mas a indecisão se dá muito mais por medo do que por incerteza dos sentimentos. Medo de acabar não sendo a pessoa certa, medo do relacionamento conjugal não funcionar e acabar. Quantas vezes você ouviu dizer que o casamento acaba com qualquer relação? Que o casal se acomoda, o sexo esfria, o homem engorda e a mulher fica relaxada? Mas será que isso acontece com a maioria ou só com os casais que permitem?



As pessoas frustradas, geralmente, têm uma visão pessimista. É preciso estar atento aos comentários delas e não se deixar contaminar. Ao invés de mirar nos casamentos arruinados que você conhece, inspire-se nos bons exemplos ao seu redor. A instituição matrimonial não está falida como muitos apregoam. Segundo dados do IBGE, no período de 2002 a 2008, apesar de a quantidade de separações continuar estável e a de divórcios aumentar, a taxa de nupcialidade legal também só veio crescendo no país. A mesma pesquisa diz que “os recasamentos representaram, em 2008, 17,1% do total das uniões formalizadas em cartório.”
Casar, no entanto, é fácil. O difícil é manter o casamento. Antigamente, as relações pareciam durar muito mais. Talvez durassem mesmo, mas a realidade é totalmente diferente. Divórcio não era opção para as gerações anteriores. Em muitos lugares do mundo ainda não é. Ele somente foi oficialmente instituído no Brasil em 1977 – permitindo a realização da vontade de muitos casais. Comparada a 2007, a taxa de divórcio cresceu 200% em relação a 1984, segundo matéria do Estadão de SP. Essa opção é uma vitória, sem dúvidas. Ninguém deve ser obrigado a ficar com quem não se ama.


As estatísticas começam a assustar aos poucos, em contrapartida. Somando separações e divórcios, houve, em 2007, uma união desfeita para cada quatro casamentos. Isto é um pouco triste. Nas décadas anteriores, os casamentos duravam mais porque também havia mais compromisso. As uniões eram levadas mais a sério. Atualmente, a grande maioria casa com o seguinte pensamento: “Se não der certo, separo-me”. Ou seja, já começa pensando na possibilidade de terminar. E isso se dá por muitas razões, além do pessimismo.
Os cônjuges não lutam tanto para manter a relação, desistem nas primeiras dificuldades, não têm paciência e persistência para ultrapassar as fases turbulentas de qualquer casamento. O relacionamento esfria e ninguém busca reacender o fogo. Nenhuma das partes quer ceder - e não se trata de ser submisso, mas de ser sábio e perceber quando recuar. A parceria tornou-se um mero negócio – "enquanto eu receber lucros, estou dentro". A própria simbologia do casamento perdeu a magia. A aliança e os juramentos – “Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza... Até que a morte nos separe” – não passam de rituais sem significado. Pelo menos para a maioria.
Não que os casais devam ficar eternamente juntos se a relação não dá certo. Realmente há casos em que o casamento é insustentável – os que nasceram em cima de uma mentira, os pautados no adultério e na falta de respeito, os violentos. Estes e alguns outros definitivamente precisam acabar.


Um novo juramento matrimonial deveria ser: “Prometo fazer todo o possível para manter nosso amor vivo.” Aqui não há uma única receita infalível. Além da admiração e da confiança já citadas em outro texto, o respeito é a base de qualquer relação. Se ele acabar, o amor acabou. Saber ceder e moldar-se um ao outro são essenciais. A conversa é muito importante para deixar sempre os pensamentos e sentimentos compreensíveis ao parceiro. Discussões esporádicas – sem faltar ao respeito: xingar e, pior, levantar a mão são pecados mortais – são saudáveis, porque podem mostrar que um ainda se importa com o outro. E quem não gosta da reconciliação? Dar espaço ao cônjuge e cada um manter a sua individualidade também são relevantes. Tudo isto e muito mais.
Se o casamento esfriar não se desespere, basta voltar ao primeiro amor. Talvez você pense: “Era tão bom na época que ele me fazia surpresas, quando íamos todas as sextas jantar fora, e ele me fazia massagens sempre que eu estava cansada”. Você quer voltar aos sentimentos do começo de relacionamento? Tenha as ações do começo de relacionamento! Se você quer que seu parceiro volte a ter certas atitudes, faça você o mesmo. Surpreenda-o com um jantar, como você costumava fazer. Prepare um banho de banheira como naquela noite tão especial. Enfim, mostre que você se importa, que ainda o ama e que não quer deixar tudo desmoronar. Mesmo que no começo suas ações não sejam retribuídas, uma hora a ficha dele/dela vai cair e as atitudes mudarão também.
É importante saber também que as pessoas mudam. Algumas mais, outras menos, para melhor ou para pior. Aqui não digo para se casar esperando que o outro mude. Não tenha essa esperança, como já foi dito. Mas as pessoas se transformam com o tempo, mesmo que em aspectos sutis, e é determinante reconhecer e aceitar essas transformações no companheiro. Da mesma forma que você estiver aceitando o “novo cônjuge”, ele estará aceitando o seu “novo eu”.


Não há coisa mais triste também do que casais que se ignoram. Pessoas que não vivem, apenas convivem. É preciso dedicação: dar seu tempo, sua atenção, seu carinho e seu ombro para o parceiro. Nicholas Sparks diz no livro “Querido John”: “... às vezes, nem mesmo amor e carinho são suficientes. Eles eram os tijolos de concreto do nosso relacionamento, mas também eram instáveis sem a argamassa do tempo compartilhado...” Assim como as plantas precisam ser regadas com água, o amor precisa ser regado com ações e sentimentos.
Mais importante do que ter a união reconhecida em papel, ou entrar em uma igreja de véu e grinalda, casar-se no coração é o principal. Criar uma verdadeira aliança entre o casal. Compromisso – esta é a palavra. E, por mais que o número de divórcios continue a crescer e casais que você admire comecem a se separar, não perca as esperanças. Você pode sempre ser a exceção à regra.
Ok. Como uma amiga diz, se a Fátima Bernardes e o William Bonner se separarem, pode desistir.

Observação: Elizabeth Gilbert, autora de "Comer Rezar Amar", escreveu a continuação da história em "Comprometida". Não li o livro, mas, pelo o que fiquei sabendo, ela estava desacreditada em relação à instituição matrimonial, então resolveu fazer uma pesquisa sobre o assunto para saber se ainda valia a pena casar-se. O resultado está nas páginas do livro.

Próximo post: Relacionamentos Gays

domingo, 1 de maio de 2011

Ah, o Amor! [6/10]

FAMOSA ALMA GÊMEA

Atenção! O que você lerá a seguir não passa de achismo do autor deste blog.



Tenho uma notícia boa e uma ruim para lhe dar. A boa é: alma gêmea existe. A ruim: quase certeza que você nunca irá conhecê-la. Pronto, falei.
Sabe aqueles amores dos filmes, em que a mocinha e o rapaz (completos desconhecidos) cruzam seus olhares na rua, param abruptamente, perdem a respiração, parece que o mundo não gira e que o tempo congelou, e nada mais importa? Sim, eles existem! Não há nenhuma estatística que comprove, mas poucas pessoas no mundo devem viver esse sentimento. É um amor? Não! É mais que um amor, é a Alma Gêmea. A tão famosa Alma Gêmea! E, para cada ser humano, há somente uma única alma gêmea, diferente dos vários amores abordados no último texto da série.
O problema é: sua alma gêmea pode estar do outro lado do mundo agora! Ou não, é verdade. Ela tanto pode estar em Huaibei (China), ou na Cidade do Cabo (África do Sul), ou em Patos de Minas, como pode estar na rua de cima da sua casa, ou no mesmo prédio em que você trabalha. Neste último caso, você só tem o azar [destino?!] de não esbarrar com ela. Porém, provavelmente ela está bem longe mesmo. Sem querer desanimar, talvez você tivesse que passar por cinqüenta reencarnações (se acreditar nisso) para encontrá-la e viver a cena do filme. Como o autor deste texto só acredita numa única passagem pela Terra... Lascou tudo!





Foi dito que não existe pessoa perfeita... Bem, existe!
[E não venha dizer que foi enganado. Lembra daquele problema matemático que no Ensino Fundamental NÃO tem solução, mas que no Ensino Médio você descobre ter? Então, é a mesma coisa. Isto acontece para que você entenda o problema por partes e amadureça seu raciocínio. O mesmo agora. Perdoado? Prossigamos!]
A perfeição tem nome e sobrenome: Alma Gêmea! Pense na pessoa mais bonita que você já viu na vida – pessoalmente ou não. Bem, a sua alma gêmea é mais bonita ainda, mais do que você pode imaginar ou pensa merecer. Além da beleza exterior, para você, ela não tem defeitos. O único sonho é estar um com o outro – todo o resto serve para tornar isso possível. Vocês pensariam igual, valorizariam e sonhariam as mesmas coisas, não brigariam, completariam as frases um do outro, saberiam o que o parceiro está pensando, etc. Algo completamente sem surpresas, previsível, nojento de tão perfeito. Acha isso também? Se encontrar sua alma gêmea vai mudar de opinião. Quem escreve este texto também.



E caso você esteja casado/a com um amor e aparecer a alma gêmea na sua vida? Como faz? Vai separar, largar filhos, abandonar tudo e ir atrás da alma? Ignorá-la também é impossível, esteja avisado. Tem um filme do Clint Eastwood, chamado “As Pontes de Madison County” (The Bridges of Madison County, 1995), que mostra esse impasse [na visão deste autor].
Na história, Meryl Streep vive Francesca, uma dona de casa que fica sozinha em sua fazenda, no interior dos Estados Unidos, enquanto seu marido e seus filhos fazem uma pequena viagem. Um fotógrafo da National Geographic (vivido pelo próprio Clint) bate em sua porta, buscando informações sobre as tais pontes de Madison County. Ela, solícita, faz companhia a ele. Resumindo: eles se apaixonam [ok, não foi amor à primeira vista como dito que seria o caso das almas gêmeas] e o fotógrafo a convida para ir embora com ele. E agora? Ela vai com a alma gêmea ou fica com o amor? Francesca escolhe o amor! No final do filme, durante um jantar, o marido (talvez pressentindo algo) agradece por ela ter aberto mão de vários sonhos por ele e pela família. Algo assim.
Se você está casado com um amor, não abra mão dele por sua alma gêmea. Principalmente se você tiver filhos. A não ser que esse amor já não esteja funcionando mais – porque um de vocês ou os dois o deixaram acabar, diga-se de passagem. Razões? Além da responsabilidade para com sua família e da aliança feita entre você e seu parceiro, o amor é mais que um sentimento, também é um comportamento. Isto significa fazer escolhas, pensar no outro e não apenas em si mesmo, e buscar a felicidade alheia também, não apenas a sua. E se para você o que foi dito é apenas uma baboseira, a escritora Elizabeth Gilbert, no famoso livro “Comer Rezar Amar”, diz:
“As pessoas acham que a alma gêmea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo para que você possa mudar a sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Não. Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesmo, e depois vão embora”.
Talvez ela esteja certa, afinal. Talvez você abra mão de um amor por algo que não será eterno. Será que vale a pena? Sorte de quem acha a alma gêmea e está solteiro, porque aí pode arriscar e descobrir o que ela realmente é. Felicidade eterna ou não.



Se você não encontrar sua alma gêmea, azar! Viva seus amores e seja feliz. E não pense que o amor é inferior à alma gêmea. Simplesmente é diferente. Então é isso: desencane da alma gêmea! A verdade é que (praticamente) todo mundo acaba com os amores. Faça o mesmo, a não ser que queira ficar esperando pela alma gêmea, buscando algo, talvez, inalcançável. A alma gêmea é de certa forma utópica. Essa pessoa realmente per-fei-ta nunca deve aparecer, assim como o príncipe no cavalo branco até hoje não surgiu para lhe resgatar. Ou surgiu?

Observação: assista “As Pontes de Madison County” e leia o livro “Comer Rezar Amar”.

Próximo post: Casamento para a Vida

domingo, 24 de abril de 2011

Ah, o Amor! [5/10]

MIL AMORES

E a paixão pode virar amor!
Aqui não diz respeito à sensação banalizada, expressada por muitos, a torto e a direito, aos muitos encantamentos e paixões. O amor abordado neste texto é reflexo da maturidade do sentimento, não uma mera ilusão; a outra pessoa não é mais idealizada, ela é vista como realmente é, e amada como tal – consequentemente, é um sentimento verdadeiro. Ele é mais racional que emocional. Eis a principal diferença e o que o torna tão especial.



Somente as pessoas ideais podem se tornar amores. Por todos os motivos citados no segundo texto da série, fica claro que existem relacionamentos duradouros apenas com as pessoas ideais. É possível, sim, se relacionar com outros indivíduos, mas não passarão de encantamentos ou paixões. Com o tempo, a excitação e a euforia vão diminuir, as verdadeiras faces dos envolvidos serão apresentadas e o final da história é imaginável.
Como existem várias pessoas ideais para cada ser humano – apesar de não ser fácil encontrá-las –, existem vários potenciais amores no mundo. Ao encontrar um, você encontrou o outro. Ou seja, a dificuldade é a mesma. A esperança também.


Existe amor à primeira vista? Não. Existe encantamento à primeira vista. Como dito, o amor é o ápice de um relacionamento. Por isso é preciso cultivar o sentimento e a relação, e, de tempos em tempos, reacender a paixão. Obviamente, é um trabalho em conjunto.
O amor é eterno? Pode ser. Da mesma forma a relação. Não confunda o sentimento com o relacionamento. É possível que o namoro/casamento termine e o amor continue. Você já deve ter visto casos em que um casal se ama profundamente, mas não consegue ficar unido. Também é possível que o amor diminua ou até mesmo se torne ódio. Depende de como o casal vai gerenciar tudo.
É possível amar mais de uma pessoa? Sim, é possível. E não se trata do amor Ágape ou do Phileo, é o Eros mesmo. Contudo, não na mesma medida e intensidade, ou ao mesmo tempo. O amor, mais do que um sentimento, é uma ação. O ato de escolher alguém em detrimento a várias outras é uma prova de amor. A verdade é que o sentimento pelos amores antigos muda com o tempo, tornando-se amor pelo ser humano e não amor pelo homem/mulher com quem um dia se relacionou.



O amor é um sentimento tão incrível! Ele se instala aos poucos, com o tempo, muitas vezes imperceptivelmente. Talvez ele seja percebido apenas quando alguma situação o colocar à prova, e nessa hora você vai se surpreender ao se descobrir amando. Ele não está em grandes declarações, está nos pequenos detalhes. Como dito, o amor é mais racional. Você sabe que pode viver sem a outra pessoa e que sua felicidade deve vir em primeiro lugar. Não significa que o amor é egoísta, mas você sabe que se não estiver feliz, não poderá fazer o outro feliz. Talvez você perceba que é melhor abrir mão dessa relação para que seu parceiro se realize completamente em outra.
O amor é tão complexo que não existem palavras para descrevê-lo. Apenas quem verdadeiramente o vive sabe o quão especial ele é. Sem mais.

Observação: Nem preciso indicar nada, afinal, o amor é o sentimento mais discutido no mundo.

Próximo post: Famosa Alma Gêmea

domingo, 17 de abril de 2011

Ah, o Amor! [4/10]

ENCANTAMENTOS E PAIXÕES

Um relacionamento pode passar por três fases: o encantamento, a paixão e o amor. [Prefiro ser positivo e não contar o divórcio]. Eis as duas primeiras fases!


Você já olhou para um completo desconhecido na rua e pensou “Eu casaria fácil com ele/ela”, ou “Daria um ótimo marido/esposa”? Obviamente, apenas analisando a parte estética da pessoa, já tirou conclusões sobre ela – “parece ser tão carinhoso, educado, protetor...”, ou então “parece ser tão boa de cama, minha mãe ia adorá-la como nora...”? Ou seja, já desejou e idealizou um desconhecido em sua vida apenas por sua percepção dele?

Você já conheceu uma pessoa na internet (ou pessoalmente) e, conversando somente duas horas com ela, pensou “Parece que conheço há anos! Quero ficar aqui por uma semana!”? Ou, mesmo sabendo racionalmente o quanto está sendo idiota, após conhecer a pessoa por apenas uma semana, pensou “Eu mudaria minha vida por ela!”?

Parabéns! Você já se encantou (perdidamente, ou não) por alguém, caso tenha respondido afirmativamente a alguma das perguntas acima, ou caso tenha passado por situações semelhantes. É, todo mundo viveu, vive ou viverá isso.

Se os sintomas permanecerem por um tempo razoável... Parabéns mais uma vez! Você está apaixonado! Ou... Que pena! Você está apaixonado. Sim, porque há o lado positivo e negativo – como tudo na vida. Há aqueles que adoram se apaixonar... E há aqueles que odeiam passar por essa fase – estes gostam de ter as rédeas de seus sentimentos.


Um olhar cruzado pode ser suficiente para você ficar com a outra pessoa na mente pelo resto da semana. Isto é encantamento. É à primeira vista, acontece rápido, é arrebatador. Se chegar a conhecê-la, em uma semana você não a tira da cabeça - imagina o que ela faz, pensa onde está, com quem, etc. Seu único desejo é estar com ela e conhecê-la cada vez mais.

No início do encantamento você ainda tem a opção de escolha. Se detectar os sintomas acima, você pode tomar a decisão: seguir adiante ou cortar os laços de uma vez. Amputar esse sentimento. Na verdade, é uma aposta, pois você não sabe o que o futuro reserva. Se vale a pena arriscar ou não, é contigo!

Se resolver seguir com o encantamento, com o tempo, vai conhecer melhor o outro. Se continuar a gostar e a relação fluir, a paixão é o próximo estágio. Aqui cabe um aviso de perigo bem grande: essa é talvez, por um lado, a pior fase de um relacionamento.

Quando uma pessoa está APAIXONADA, ela acredita que AMA. Esta falsa impressão é a causa de todos os problemas. No encantamento, você tem noção de que está encantado e sabe agir a partir dessa constatação. Na paixão, seus sentimentos enganam sua racionalidade. A paixão é a fase do “morreria sem você!”, “você é meu TUDO!”, “enfrento céus, terra, mar e inferno para ficar junto a ti!”, “abro mão da minha vida, da minha família, dos meus sonhos por você!”. Doce ilusão. Como diria Mushu, no desenho Mulan: “Acorda pra cuspir!” Deixe a irracionalidade de lado e descubra o que realmente é esse sentimento.


De duas uma: se o negócio vingar, as escamas da paixão começarão a cair e o amor brotará; se não vingar, a desilusão vem, você se sente um idiota, talvez declare ódio ao “amor” e jure que nunca mais se apaixonará. Doce ilusão de novo. Se você quer um amor, necessariamente passará pelas duas fases anteriores. Alguns mais rápido que outros, ou com mais intensidade. Alguns sofrem mais, outros não deixam o lado emocional dominar tanto. Bem, cada caso é um caso.

Sinceramente, a maioria das pessoas adora se apaixonar, por outro lado. Apesar de todos os problemas, é a período em que as partes cedem mais, agradando sempre um ao outro; é quando o sexo é super quente, já que um estará descobrindo o corpo do outro (e isso só acontecerá no início); e é quando há um maior número de declarações, presentes e encontros encantadores. Talvez não seja a melhor fase de um relacionamento, mas ela é única. Então, aproveite e deixe-se apaixonar com moderação.

Observações: melhores exemplos de encantamento são os filmes “Antes do Amanhecer” (1995) e “Antes do Pôr-do-sol” (2004), ambos de Richard Linklater. Corra até a vídeo locadora mais próxima!

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domingo, 10 de abril de 2011

Ah, o Amor! [3/10]

SONHOS CONJUNTOS

“Eu não preciso de mais nada na minha vida. Se tenho você, tenho tudo!”

O-lha-que-ro-mân-ti-co-gen-te?! Quem diz isso ama mais do que qualquer outro ser vivo, só pode! Mas a pergunta é: abrir mão da própria vida por outra pessoa é amor ou burrice? Vale mesmo a pena? Se você respondeu “sim” sem pensar, seu caso é burrice! Se estiver considerando a questão, sua situação é mais tranquilizadora.

Quanto mais alto é o sonho, mais dificuldades você terá para encontrar um amor. A não ser que tenha muita sorte. Isto acontece porque a regra, o sonho geral, é a busca por acomodação e estabilidade. Se os planos de vida de alguém não dão destaque a essas duas palavras, somente outra pessoa parecida conseguiria entender, aceitar e incorporar essa vida alternativa. Aqui não julgo se uma é melhor do que a outra – são apenas diferentes, cada uma com seus prós e contras.

Caso seus sonhos sejam sobrenaturais, ou seja, acima do que é considerado natural – talvez a ponto de as pessoas os considerarem ilusórios –, você sabe muito bem a dificuldade que é encontrar um amor para a vida. Sim, porque se você quiser relacionamentos com data de validade, não haverá problemas para encontrar. E muita gente é deste tipo: "Vamos ficar juntos até onde der!”, ou “Vamos viver cada dia de uma vez. Não sabemos o que o amanhã nos reserva”, ou ainda “Tem tanta água para passar por debaixo desta ponte. Nossos sonhos não combinam agora, mas podem combinar no futuro”. Se funciona para você, ótimo.


Conciliar sonhos – eis o necessário para um relacionamento ser duradouro. A pessoa ideal será aquela com quem é possível conciliar os sonhos e formar um futuro em conjunto. Muitas questões devem ser discutidas, como os planos de vida (Casar? Ter filhos?) e os desejos profissionais (principalmente se seu trabalho exige mudança periódica de cidades).

Pode parecer irrelevante, mas são as respostas às perguntas aparentemente mais banais que irão determinar a longevidade de uma relação. Uma pessoa comum (no sentido de pensar como a maioria) tem as respostas claras: quer continuar a morar na cidade em que está, quer ter uma festa de casamento, e um ou dois filhos. Isto é o considerado natural. A diferença da pessoa incomum é que ela tem desejos muito claros e fortificados. Exemplos: detesta casamento, quer morar sozinho, não gosta de crianças, pretende ter inúmeros animais de estimação, sonha em viver no exterior, dentre outros. Agora ache alguém parecido! Você irá encontrar, mas provavelmente com mais dificuldade. Repito: a não ser que você tenha sorte ou conheça uma simpatia das fortes. [Se sabe de alguma, por favor, compartilhe com os leitores do blog!]


Os seus sonhos devem moldar-se aos sonhos de seu parceiro. Ambos precisarão ceder em algum momento – em qualquer relação, mesmo nas cômodas e estabilizadas. O ideal é buscar, dentre seus desejos, aqueles que podem ser conciliados. Possivelmente será preciso adaptar seus sonhos, mas é imprescindível que os dois cheguem a um ponto em comum – aquele em que os dois sonhos individuais se tornam um único sonho.

Mais do que embarcar nos sonhos alheios, interesse-se e acredite neles e no seu companheiro. Não adianta mudar sua vida e ficar insatisfeito com ela, ou pensar que tudo vai dar errado uma hora ou outra. Compre a ideia e aposte nela!


É egoísmo, todavia, não desistir de seus sonhos por alguém que você ama? Significa que você não ama tanto assim a outra pessoa? De forma alguma! Significa apenas que você se ama em primeiro lugar – nada mais natural e saudável. Ninguém deve abrir mão de seus principais sonhos pelo parceiro. Nunca! A chance de, no futuro, você jogar na cara do parceiro que fez o que ELE queria, e não o que VOCÊ desejava, é muito grande. Sim, porque uma hora ou outra, mesmo que inconscientemente, você vai querer ser recompensado pela sua atitude “altruísta”, e se isso não acontecer... “Ah! Seu egocêntrico filho da mãe!”... o arrependimento vai bater à porta.

Voltando à pergunta do início, se abrir mão da própria vida por outra pessoa é amor ou burrice... Provavelmente os dois. Entretanto, o ideal é que seja uma burrice deliberada. Pense muito bem nas consequências e tenha consciência de que você toma essa atitude sem ser obrigado, e de que, talvez, não tenha outras coisas em retorno a não ser a felicidade do seu parceiro. Se for suficiente, não hesite.

Ah, e sobre a frase apaixonada do começo do texto, ela somente seria verdadeira se o seu único sonho é amar o seu companheiro. Mas seja sincero – este é seu único sonho mesmo?


Observação: assista ao excelente filme “Foi Apenas Um Sonho” (Revolutionary Road, 2008, de Sam Mendes) e veja até onde sonhos conjuntos mal resolvidos podem levar um casal - apenas com o trailer já é possível refletir algumas questões.


Próximo post: Encantamentos e Paixões

domingo, 3 de abril de 2011

Ah, o Amor! [2/10]

A PESSOA IDEAL


NÃO existe pessoa perfeita. Se você espera pelo príncipe encantado, sem defeitos, vai morrer esperando. Desculpe-me ser tão direto, mas há verdades que precisam ser ditas sem rodeios, talvez para (ter mais chances de) causar algum impacto e consequente mudança. Esta constatação não é motivo para desistir dos homens (ou mulheres) e pegar o primeiro traste que aparecer na sua frente, ou aceitar quem estiver abaixo de suas expectativas, padrões de qualidade e desejos.

Existe a pessoa perfeita PARA VOCÊ, todavia. Assim, para não haver confusões, chamemos de “pessoa ideal”. Ela tem as qualidades que você aprecia e os defeitos que você tolera. Além das virtudes gerais, que qualquer um (em sã consciência) admira, como agradabilidade, educação e honestidade, para citar algumas, a pessoa ideal tem virtudes próprias, que a destacam dentre a multidão.

É muito importante conhecer os defeitos do seu “príncipe” (ou princesa, ok). Há aquelas características que são insuportáveis para algumas pessoas, da mesma forma que existem as toleráveis. O que não significa que é preciso aceitá-las. A verdade é que você sempre irá tentar mudar, às vezes brigando, aquilo que não gosta em seu companheiro – enquanto durar o relacionamento. Entretanto, se você sabe lidar com o diferente, com o que não o agrada mas é suportável, tudo fica mais fácil. E pode ser que você se surpreenda admirando esse defeito em alguma situação específica.

Ninguém muda com o tempo. De modo radical, é melhor pensar desta forma. Muitos divórcios acontecem porque uma das partes acredita que vai poder mudar o outro com o passar dos anos. Pode ser que sim. Pode ser que não. Vai querer pagar para ver? Se seu parceiro não mudou nos primeiros meses de namoro – período em que ele faz tudo para te conquistar –, não vai ser depois que você o “aceitou” que ele vai se dar ao trabalho de mudar. Não caia nessa! Repito: conheça bem os defeitos e tolere-os. Se não for o caso, parta para outra.


Beleza física põe mesa, sim. E mesmo que não ponha mesa, você não precisa comer no chão, né querido. A primeira impressão é importantíssima. Exemplo: você está em uma festa e existem duas mulheres te encarando, uma bonita e uma feia. Para qual você irá arrastar suas asinhas? Resposta óbvia. Pode ser que, ao conversar com as duas, você descubra que a feia é mais interessante, inteligente e educada. Contudo, geralmente as feias não têm chance de provar seu valor – infelizmente. E ninguém, além da natureza desprovida e da própria feia, é culpado.

A pessoa ideal é bela aos seus olhos. E é bom deixar claro aqui que beleza é relativa, por isso, “aos seus olhos”. Você deve achar seu companheiro bonito, mesmo que seja com o tempo. Vale a pena ficar com o feio com conteúdo? Não, pois você não estará se valorizando. Creia que é possível encontrar um inteligente E bonito. Lembre-se: você só vai começar a perder a visão na velhice! Se ficar com um feio, por mais que admire inúmeras qualidades, sempre saberá que a outra pessoa não é abençoada fisicamente. Porém, repito o que foi dito no último post: seja realista! Olhe-se no espelho ao julgar a beleza dos outros. Bonitos só ficam com feios por interesse (ou por baixa autoestima, como dito). Você pode até tentar, mas se, em alguns meses, continuar incomodado com as imperfeições e o outro não tentar melhorar, desista.


Os parecidos se atraem, não os opostos e nem os iguais. Pessoas idênticas podem até se dar bem. Contudo, são pessoas previsíveis, rotineiras, talvez até mesmo intolerantes, que não gostam de surpresas, do inesperado ou de serem contrariadas. Quem se apaixona por um clone é narcisista. Por outro lado, o papo de que opostos se atraem também é balela. Aliás, eles podem se atrair, mas vão se repelir com a mesma rapidez e intensidade.

Afinidades são a base da receita e as diferenças são o tempero. Os pilares da relação são as afinidades. Tudo o que é indispensável para você – seus principais valores, crenças e objetivos – deve ser também indispensável para seu companheiro. Vontade de casar e ter filhos (ou a ausência dela), as citadas virtudes gerais e locais preferidos para sair são exemplos de afinidades importantes. Caso contrário, o casal precisa de muito jogo de cintura, espaço e conversa para se entender.

As diferenças, bem, é preciso aceitá-las (perceba que não é tolerar, como em relação aos defeitos), respeitá-las e, de preferência, admirá-las. São as diferenças que farão o casal se completar. Em um quebra-cabeça, duas peças idênticas não se encaixam. Seu companheiro não deve falar tudo o que você quer ouvir, porque muitas vezes você terá que ser confrontado e ouvir umas boas verdades. É preciso alguém que te aconselhe, ajude, apóie, elogie seus acertos e reprove seus erros. Por fim, a diferença torna cada pessoa um ser individual – e interessante.

Inúmeras outras questões determinarão se uma pessoa é ideal ou não para você. Uma mais que destaco é a classe social. Eis o complexo da Cinderela – a empregada doméstica que encontra o príncipe e vira princesa. É apenas isso, gente – um conto de fadas. Pessoas de classes sociais diferentes vêm de realidades diferentes, têm sonhos, rotinas e gostos distintos, o que torna muito complicado dar certo. Não é impossível que aconteça e funcione, contudo, o rico precisa ser muito humilde e não ter preconceitos, da mesma forma que o pobre não pode ser orgulhoso ou se sentir inferior. Nem é preciso comentar os casos de puro interesse financeiro.


Admiração e confiança – estes são os dois sentimentos que determinarão se a pessoa é ideal para você ou não. Admirar e confiar são os verbos mais importantes em qualquer relação! Sem um ou outro é impossível que o relacionamento dure. Não tenha dúvidas. Não é um admirar que signifique “eu gosto disto nele”, é mais ainda. Como bem diz o dicionário, é ter “um sentimento de deleite, enlevo, respeito ante o que se julga nobre, belo, digno de amor e veneração”. Você precisa falar com orgulho de seu companheiro. Pode ser admirar características óbvias, como a genialidade ou a beleza grega, ou admirar pequenos gestos, como a forma que respira ao dormir, o buraquinho na bochecha quando sorri, ou a forma como ele te trata.

“Em namorado a gente confia e entrega a Deus”, disse sabiamente Wanessa (ex-Camargo, só para identificar). Confiar é ter fé. Quando falamos nisto, inicialmente relacionamos à fidelidade. Como você não vai ficar grudado no seu amor e não quer morrer de ciúmes, é preciso acreditar no próprio taco (ser seguro) e confiar que o companheiro não vai se render às inúmeras tentações. Mas confiança também é necessária para compartilhar a vida e os problemas, entregar-se de corpo e alma à relação, e saber que o seu companheiro é sua fortaleza, alguém que sempre estará ao seu lado quando precisar.


Encontrou a pessoa ideal para você? Que bom! Agora me diga: você é a pessoa ideal para ELA? É, querido, um precisa ser ideal para o outro. Se um não quer, dois não namoram. Às vezes, o outro é tudo o que você procura, mas você não é nada do que ele almeja. Não basta a física, a química também tem que acontecer. Caso contrário, não vai haver compatibilidade, e aí não adianta nada o que você pensa sobre a outra pessoa. Não vai rolar.

Enquanto a pessoa ideal não aparece e te considera a pessoa ideal dela, deixe de procurar pelo “príncipe azul” (aquele perfeito) e tenha fé. Em algum momento, você cantará como a Shakira: “Cansei-me de beijar sapos em vão, sem o ‘príncipe azul’ nunca encontrar. E assim você chegou, devolvendo-me a fé, sem poemas e sem flores, com defeitos e erros, mas em pé”. Queira um príncipe “em pé”!

Observação: se você pensa em continuar a buscar a perfeição, veja o filme Cisne Negro e veja onde tudo pode te levar – à loucura.


Próximo post: Sonhos Conjuntos

terça-feira, 29 de março de 2011

Ah, o Amor! [1/10]

ROLETA RUSSA DO AMOR


Eis o sentimento mais presente na vida humana, mesmo quando ignorado; debatido por analfabetos e filósofos, crianças e idosos, desde sempre; analisado, expressado e imortalizado em músicas, palavras, gestos, fotografias, filmes e obras de arte. Ah, o amor! Quem nunca o sentiu? Todos amam, mesmo que somente a si próprio.

Traz uma valiosa lição a música Nature Boy (1947), parte da trilha sonora do filme Moulin Rouge [os românticos já viram. Se você não, assista antes de continuar a leitura!]. Ela diz: “A coisa mais importante que se pode aprender na vida é amar. E, em troca, amado ser”. Não é exatamente o que se busca na vida – ser amado? No fundo, as ações humanas almejam o reconhecimento e aprovação de outrem, ainda que apenas de Deus.




Nenhum tipo de amor, porém, substitui o de um companheiro. Desde pequenas, as pessoas são bombardeadas com todos os tipos de histórias de amor e, claro, todas com final feliz. Estes iludidos inocentes crescem e descobrem que o sapo não vira príncipe, mas que quase todos os que parecem príncipes são, na verdade, sapos; que o “felizes para sempre” se torna “que seja eterno enquanto dure”; que o “homem da sua vida” nunca vai chegar em um cavalo branco, mas se chegar em um Pálio básico já está no lucro; que o amor à primeira vista vai se revelar uma paixonite da qual se arrependerá em 3, 2, 1...; e que os encantamentos e bruxas para atrapalhar seu relacionamento estão por todos os lados: a vizinha fofoqueira, a amiga invejosa, o pai superprotetor e a sogra que pode ser uma pedra no sapato.

É, pobre criança, quem te disse que contos de fadas se tornam realidade? Você foi enganada, não é mesmo? Agora pergunto: quem te disse que contos de fadas NÃO podem se tornar realidade? A vida, as suas experiências, o ex-namorado que te enganou por meses, o casamento arruinado de seus pais, a sua tia solteirona ou o senso comum?

Não existe príncipe, existe ser humano, com qualidades e defeitos. Não existe final completamente feliz, entretanto, mesmo com todas os percalços, você pode tornar o começo, meio e fim o mais feliz possível. Cavalo branco, Ferrari, bicicleta, ônibus, a sola do sapato? O meio de transporte é mesmo importante, Srta. Maria Gasolina? E saiba que as pessoas só invejam o que admiram. Regozige-se e seja feliz com seu relacionamento! Caso tenha um.



Solteiros, preparem-se para a batalha. Encontrar a pessoa ideal [falarei sobre ela no próximo post] é quase como ganhar na loteria. É preciso fazer a sua parte e torcer para que a sorte/destino/Deus te ajude. Porém, não desespere! Dentre os 7 bilhões de habitantes do planeta, pelo menos um será seu. Se não pretende sair do Brasil, são 190 milhões de opções – um bom número ainda. Se é homossexual, teoricamente, 10% [há controvérsias] jogam no seu time. O número não é grande, mas a concorrência também não. [Há outros poréns que serão discutidos em seu tempo.]

As idades médias dos novos casados são 29 anos (homens) e 26 (mulheres), de acordo com a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2009. Além disso, 42,8% da população brasileira é solteira, 5,4% divorciada e 5,9% viúva – ou seja, mais da metade está livre, leve e solta. 80% dos que têm até 24 anos ainda estão solteiros. 60% dos que têm até 29 anos, também. Depois dos 30 é que começa a ficar um pouco mais complicado encontrar um bom partido desimpedido, mas não há vitória sem batalha, e tudo o que é melhor vem com mais dificuldade, não é mesmo? Tenha fé!

Não faltam pessoas no mercado, ficou claro até agora. E por que, mesmo assim, é tão difícil encontrar a famosa cara metade? Principalmente hoje em dia, quando a internet facilita tanto a paquera. Nas redes sociais, salas de bate-papo e fóruns é possível selecionar pessoas segundo interesses e gostos. Sem dúvidas, você conhece muito mais gente, contudo, quantidade não significa qualidade.

O açougue pode ter muitas ofertas de carne, porém nem todas são de primeira. Todo mundo quer a picanha, não o coxão duro. Nem mesmo um pescoço quer um músculo. O pescoço também quer o filé mignon. Abusado e sonhador este! Morre solteiro e não sabe o motivo. Vá assistir ao conto de fadas correto, querido! A princesa Fiona terminou com o ogro Shrek. O burro casou com o dragão. C’est la vie! [Dica: se quer alguém melhor, melhore primeiro.]



A verdade é: existem muitas pessoas que poderiam vir a se tornar um grande amor. Pode haver várias boas oportunidades no seu bairro, mas você nunca chegará a conhecê-las. É impossível bater de porta em porta e interrogar todos os homens que te agradam para saber se ele é o “the one”. Pode chorar agora!

O que posso fazer para conhecer um amor?, você pergunta. O que posso fazer para acelerar o processo? Qual mandinga, amarração, macumba, oração ou reza braba é a mais indicada? A resposta é: não há resposta! Pode chorar um pouco mais!

Você pode “fazer a sua parte”. As pessoas mais extrovertidas, sociáveis, bem relacionadas e com mais contatos conhecem mais gente. São mais chances de acertar. E de errar também. Quem sai com frequência ou é bom de paquera tem vantagem. Ter perfis chamativos e interessantes [e verdadeiros, pelo amor de Deus!] nas redes sociais contam pontos. Ser bonito e se cuidar colocam um refletor ininterrupto sobre você por onde quer que ande. Sim, tudo isto ajuda, mas será que é mesmo necessário? No fim das contas, trará resultados mais rápidos? Talvez.

Parece que quanto mais você corre atrás e se desespera, mais o destino se diverte em brincar com seus sentimentos. Pode ser que aquele homem do seu lado no ônibus se tornasse um ótimo marido, mas ele é tímido para puxar assunto. Talvez, a mulher que acaba de deixar o restaurante, enquanto você entra, fosse a mãe perfeita para os seus filhos. A potencialidade está em cada vida que cruza o seu caminho.



O destino (ou seja lá no que você acredita), entretanto, vai se encarregar de colocar as pessoas certas, nos momentos certos, em seu caminho. Inclusive as pessoas erradas. Sim, até mesmo as erradas, pois será com elas que você terá bons aprendizados e se tornará mais forte para os relacionamentos vindouros. E, eventualmente, quando você se distrair (ou quando estiver atento o suficiente para perceber a atmosfera mudar), eis que aquele sentimento tão falado vai começar a ser bombeado em seu sistema, ainda que talvez imperceptivelmente no início. Um clichê que se aplica: tudo tem o seu tempo. Então, tenha paciência!

Igualmente importante é o autoconhecimento. Dizem que quem não gosta de ficar sozinho é porque não suporta a própria voz. Será o seu caso? Carência é outra praga a ser extirpada. Tornou-se também clichê afirmar: “Ame a si mesmo antes de amar os outros”. Ser lugar-comum não torna a sentença menos verdadeira. Talvez a pessoa ideal não apareceu até agora porque você ainda não está preparado. Enquanto isso, aproveite muito bem seu tempo para curtir a vida de solteiro (você sentirá falta dela) e para se conhecer, se amar e, assim, estar pronto para seguir adiante quando "O Homem/A Mulher" surgir na sua vida.


Observação: Se, além de viver no que parece ser uma eterna roleta russa do amor (atirando nas pessoas erradas até acertar a ideal), ter paciência e mentalizar coisas positivas, você tiver alguma outra dica do que fazer enquanto um amor não chega, por favor, me avise, pois estou louco para saber!


Próximo post: A Pessoa Ideal