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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ah, o Amor! [8/10]

RELACIONAMENTOS GAYS
Desculpem-me as lésbicas, mas não tenho conhecimento e propriedade para falar de relacionamentos entre mulheres.
Se já é complicado para um heterossexual encontrar um verdadeiro amor, imagine para um gay. Eu te garanto: a luta é maior ainda. Primeiro, porque, proporcionalmente, a quantidade de homossexuais no planeta é bem menor que a de héteros. Os mais positivos dizem que são 10% da população. Segundo, para complicar, como descobrir quais jogam no seu time? Teoricamente, um homem pode paquerar uma mulher e encontrar sua parceira em qualquer lugar, sem problemas (inclusive em boates GLS, afinal, “toda mulher precisa de um amigo gay”, e este a leva para as baladas). No máximo, o cara vai levar um fora. Agora vai um homem paquerar qualquer outro na rua, no metrô, na padaria ou no banco. Tem que ser muito macho para ter coragem.
Todo homossexual precisa ter o “gaydar” (radar para detectar gays) por este motivo. Não pode haver a possibilidade de fazer uma investida no alvo errado. Em alguns casos, poderia até mesmo correr risco de morte. Mas o gaydar somente detecta os homens que, em algum momento, demonstram ter uma orientação sexual incomum. Quantos outros não passam despercebidos pelos radares? Quantos estão escondidos nos armários?
A internet e as boates GLS – por mais ressalvas que possa haver – acabam se tornando os principais locais para encontrar um companheiro. Porém, são os ideais? Antigamente, os guetos eram os únicos locais para conhecer iguais. Se alguém quisesse ser discreto, jamais poderia ser visto nesses lugares. A internet veio como uma salvação para os que querem anonimato (“quer dividir o armário comigo?”) e, principalmente, para os milhares de gays que vivem em localidades em que não há pontos de encontro da comunidade LGBT. Inúmeros homossexuais acreditavam serem os únicos no mundo até a chegada da rede mundial de computadores. Alívio e felicidade para esses.
Digamos que o Jake sabe onde tem chances de conseguir um amor. [Vamos usá-lo como personagem do texto] Agora pronto. Se ele sabe em quais locais os gays estão, pode paquerar sem problemas e sair de lá com uma paixão, correto? Mas os amigos que o Jake fez o alertam: relacionamento gay não dura. Tratando-se de dois homens, é impossível haver fidelidade, afinal, o homem é mais sexual e promíscuo que a mulher. A solução é querer “pegar”, não casar. Até que ponto isto é verdade?
Os homens realmente são mais sexuais. Podem considerar papo machista, mas como homem, é a impressão que tenho. Contudo, este não é um motivo para justificar infidelidade ou qualquer outra atitude. O desejo sexual é totalmente controlável – basta querer. Porém, se um casal – homo ou hétero – quer ter um relacionamento aberto, a três, quatro, ou qualquer outro tipo alternativo, quem somos nós para julgar? Não concordo, mas devemos respeitar.
Vive-se um período de transição entre gerações, a meu ver, o que justificaria a atitude de parte dos homossexuais. Deixo claro que esta é uma teoria particular, sem nenhum fundamento a não ser minhas percepções. Eis: Por muitos séculos, um relacionamento amoroso e sexual estável entre dois homens não era sequer considerado. Após o movimento de contracultura e o fortalecimento da luta feminista pela igualdade de gêneros (anos 1960/70), as pessoas puderam viver um período de liberdade sexual sem limites e medo. Como consequência, a Aids ficou conhecida na década seguinte (anos 1980). Desinformação e preconceito ceifaram as vidas de muitos homossexuais. Seguiu-se um período de medo e paranóia – muitos querendo ficar longe de outros gays por medo de se contaminar e muitos ainda se expondo a riscos. Com a reabilitação do uso da camisinha (algo tão simples para se prevenir das DSTs) e do coquetel (para combater a doença), a próxima geração voltou a curtir os prazeres carnais mais protegidos e com menos medo. Resumindo: uma geração “morreu” sem poder viver uma vida gay plena, e a geração “pós-medo da Aids” quis aproveitar a readquirida liberdade.
A atual geração, por sua vez, cresce e vive sem modelos de relacionamentos homossexuais nos quais se espelhar. Quantos casais gays resolvidos, assumidos e felizes você conhece pessoalmente? Eu, nenhum. Creio que este é um período de transição, porque nem todos se deram conta da atual realidade. Muitos ainda vivem a liberdade sexual desmedida e, creio, vão se descobrir sozinhos na velhice – talvez porque um relacionamento estável nunca pareceu uma opção. Contudo, aos poucos, cada vez mais casais gays estão mostrando a cara e servindo de exemplo para os mais novos.
É de extrema importância que os homossexuais famosos assumam sua sexualidade e vivam seus relacionamentos de forma aberta – não os escondendo –, como qualquer famoso hétero faz. Fico muito feliz com exemplos estrangeiros, como o casal Neil Patrick Harris (da série How I Met Your Mother) e David Burtka; o ator T.R. Knight (da série Grey’s Anatomy) que namora às vistas; o cantor Lance Bass e os há pouco tempo assumidos Ricky Martin e Zachary Quinto, que fazem questão de mostrar quem são. Eles e alguns outros são exemplos para muitos homens.
Em um trecho do livro Salto Mortal, da autora Marion Zimmer Bradley, ambientado nos anos 1940/50 nos EUA, um dos personagens – um famoso ator – fala sobre o assunto: “Eu gostaria de viver em um mundo onde me pudessem fotografar com, por exemplo, o Tommy ao colo se eu quisesse. Para cada mulher que ficasse aborrecida por eu não estar, digamos, disponível para as suas fantasias românticas, haveria um garoto que leria os jornais e iria ao cinema, e que poderia deixar de detestar a si próprio e diria: ‘Muito bem, o Bart Reeder é bicha, feliz, bem-sucedido e está se dando bem, então, talvez, eu não precise me enforcar.’ E a taxa de suicídio cairia, e todos seriam felizes.” Sabemos que o suicídio de homossexuais é um problema sério, divulgado principalmente nos Estados Unidos.
No Brasil, infelizmente, praticamente não há famosos abertamente gays, muito menos com relacionamentos assumidos. Esta geração e a próxima precisam fazer sua parte e colaborar com as subsequentes. Atualmente, segundo os resultados preliminares do Censo 2010, o Brasil tem pouco mais de 60 mil casais do mesmo sexo declarados, o que corresponde a 0,1% do total. Esta informação pela primeira vez aferida pelo IBGE. Obviamente, trata-se de números subestimados, pois muitos casais não tiveram a coragem ou não quiseram assumir a relação. De qualquer forma, mostra que a união entre pessoas do mesmo sexo ainda é uma raridade no país.
Voltando à história do Jake, ele finalmente encontrou um amor – fiel, companheiro, carinhoso, etc. Tratando-se de um casal heterossexual, este poderia ser o “E viveram felizes para sempre!”, mas não é o caso. Existem grandes chances de a família não aceitar e, assim, o Jake não poder apresentar o marido aos pais ou levá-lo às reuniões familiares. Obviamente, eles não podem ter um casamento civil – com todos os seus benefícios –, como qualquer outro casal. No máximo, podem declarar uma união estável. Adotar filhos seria uma dor de cabeça, e muitos olhares e comentários de condenação seriam lançados a eles. Além de todas as possíveis situações de discriminação. Não é à toa que muitos casais preferem viver no anonimato. Ou, pior, muitos gays preferem não viver de forma alguma a própria sexualidade.
É Jake, no entanto, quem vai abrir precedentes para a próxima geração. É ele quem vai mostrar que é possível viver um relacionamento gay em sua plenitude, como qualquer outro. Hoje pode ser difícil viver uma relação homossexual, mas se temos essa possibilidade é graças aos antepassados que iniciaram a batalha. Resta-nos seguir em frente.

Observação: As fotos em preto e branco que ilustram este texto são da revista gay americana Out, edição de fevereiro deste ano. Na capa, estão os citados atores Neil Patrick Harris e David Burtka. Eles estão juntos desde 2004 e, em 2010, tiveram filhos gêmeos por meio de barriga de aluguel. Com a aprovação do casamento gay em Nova York no ano passado, eles anunciaram o noivado.
Próximo post: Sexo e Prazer

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Bíblia + (ou) x Homossexualidade

“A Bíblia não deixa dúvidas: a homossexualidade é um pecado abominável e os homossexuais que não se converterem serão queimados no fogo do inferno pela eternidade!”

Nunca consegui acreditar neste tipo de afirmação. Deus condena o fato de eu amar outro ser humano? Mesmo sendo uma boa pessoa a vida inteira, somente pelo fato de ser homossexual irei para o inferno? Se Hitler tiver se arrependido verdadeiramente de suas atitudes e aceitado a Jesus no último minuto de sua vida, teoricamente, ele vai para o Paraíso; mas eu não irei porque creio que minhas atitudes não são erradas? Definitivamente, nunca consegui acreditar.

Quando minha família soube da minha orientação sexual, os versículos bíblicos usados para condenar a homossexualidade voltaram aos meus ouvidos. Contudo, se não conheço o que a Bíblia realmente diz sobre o assunto e, principalmente, o que é certo para Deus, como eu poderia enfrentar essas acusações? Como me defender? Será que estou errado?

Reafirmo aqui minha crença de que a Bíblia é um livro inspirado por Deus [não ditado palavra por palavra por Ele] e um guia para nossa vida na Terra. Até hoje, não encontrei nenhum versículo que pregue más atitudes, muito pelo contrário, só vejo amor. Com certeza, há muitas partes atualmente consideradas inválidas, machistas e pré-históricas. O que é preciso fazer é estudar as Escrituras e interpretá-las, separar o que serve para o ano 2011 do que já não se aplica mais. O problema é querer lê-las literalmente.
Também sei que a Bíblia passou por inúmeras traduções, mas creio que o que restou é o que Deus quer nos dizer. Nada do que está ali, com o passar dos séculos, ficou por acaso. Como dito, é preciso estudar e analisar criticamente algumas traduções polêmicas, buscando, assim, informações sobre as palavras utilizadas na língua original.
Podem me dizer: “Que trabalheira dá para ler a Bíblia!” Respondo: Nenhum prêmio vem sem batalha. Você quer descobrir os “segredos” bíblicos? Você quer chegar a Deus? Quer saber o que Ele tem a lhe dizer? Então dedique seu tempo e use seu cérebro para descobrir. O mais fantástico da Bíblia é que você vai absorver o que é importante para você naquele momento. Algumas linhas vão pular à sua vista – é Deus falando contigo!
Creio que todo mundo deveria estudar a Bíblia ao menos uma vez na vida.

Bem, em 2009, resolvi pesquisar a fundo o assunto e criar uma apostila – “Bíblia + (ou) x Homossexualidade” – para divulgar o que descobri. Finalizada em maio de 2011, ela traz as interpretações bíblicas “contra” [a mais divulgada] e “a favor” da homossexualidade. Falo melhor da metodologia de pesquisa na “Introdução”.

Se você se interessa pelo assunto e quer embasar sua fé, sugiro que leia a apostila. Ao ler, resumo três pedidos valiosos:
1- Leia as DUAS visões [a apostila inteira], mesmo que já tenha opinião formada. Não leia somente o que lhe convém. Conheça a visão oposta nem que seja para criticar;
2- Tenha um OLHAR CRÍTICO sobre ambas as interpretações. Pode se descobrir concordando com partes da outra visão;
3- Enquanto ler a apostila, peça, em ORAÇÃO, discernimento do Espírito Santo para conhecer a verdade de Deus para a sua vida.

Espero que essa apostila te liberte, de uma forma ou de outra, da mesma forma que foi comigo! Hoje posso dizer, sem dúvidas, que Deus me ama como sou, homossexual!

BAIXE A APOSTILA “BÍBLIA + (OU) x HOMOSSEXUALIDADE”:

Saiba mais sobre minhas CONCLUSÕES PESSOAIS neste outro arquivo:
[Peço que leia minhas conclusões somente após ler toda a apostila]

Observação: o filme “Save Me” é uma boa ficção sobre quem tenta deixar de ser gay. Recomendo muitíssimo também o excelente documentário “FOR THE BIBLE TELLS ME SO”!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Um passo rumo à Igualdade


Na quarta-feira, 04 de maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal começou uma sessão que mudaria a vida de milhares de brasileiros. Após algumas interrupções, a reunião terminou no dia seguinte, após aproximadamente 10h de duração.
Os dez ministros que votaram, por unanimidade, a favor do reconhecimento da união homoafetiva, equiparando-a à união estável entre homem e mulher, presente na Constituição Federal, fizeram história no Brasil.
Mais um passo em direção à igualdade de direitos e ao respeito à diversidade foi dado. O STF – mais alta instância do país – se mostrou justo e íntegro, não deixando-se levar pelos apelos populares contrários, mas reconhecendo o que já deveria ser fato a muito tempo.
Eu – sei que também em nome de muitos outros homossexuais – sou grato aos ministros por essa vitória importantíssima na luta contra o preconceito e a discriminação de LGBTs. Eram 78 (há quem diga 111) direitos negados pelo fato de a união estável entre pessoas do mesmo sexo não ser reconhecida como um tipo de instituição familiar.
Sou grato por poder: me casar (mesmo que não seja um casamento civil, direito ainda a ser conquistado); adotar o nome do meu parceiro; fazer financiamentos, compras e alugueis em conjunto; inscrever meu parceiro como dependente em meu plano de saúde, imposto de renda e previdência social; acompanhar meu parceiro em caso de transferência de emprego; estar junto ao meu parceiro caso ele esteja internado em um hospital, e, se preciso, tomar decisões quanto a seu tratamento; ter direito à pensão alimentícia, herança, e à garantia de bens em caso de separação; ter direito a dias para comemorar meu casamento, ou para enlutar-me pela morte do meu parceiro; e, muito importante, ter o mesmo tratamento que casais heterossexuais na hora de formar minha própria família, por meio da adoção. Sou grato por isto e muito mais!
Reconheço que é um absurdo alegrar-me por receber algo que é meu por direito. Poderíamos não parabenizar o STF, afinal, eles não fizeram mais do que sua obrigação, contudo, em uma sociedade tão machista e religiosa como a brasileira, termos uma instituição tão importante ao nosso lado é realmente uma vitória!


Abaixo seguem algumas das falas mais importantes da sessão do STF:

"Os homossexuais devem ser tratados com mesmo respeito e consideração que os demais cidadãos, e a recusa estatal em reconhecer uniões implica, não só em privá-lo de direitos, como também importa em menosprezo a sua própria dignidade”.
O reconhecimento jurídico das uniões homossexuais não enfraquece a família, mas antes a fortalece”.
“Privar os membros de uniões homossexuais afetivas atenta contra sua dignidade, expondo-os a situações de risco social injustificáveis”.
“Ao não-reconhecer das uniões homoafetivas, o Estado compromete a capacidade do homossexual de viver a plenitude de sua orientação sexual”.
(procurador-geral da República Roberto Gurgel)

“Se a vida, pelos seus desígnios, levasse meu filho por um caminho diferente, eu gostaria que ele fosse tratado com respeito e consideração, e que fosse acolhido pelo ordenamento jurídico e que pudesse viver em paz e segurança. E o que desejo para o meu filho é o que tenho que desejar para todas as pessoas”.
(advogado Luís Roberto Barroso)

“O órgão sexual é um plus, um bônus, um regalo da natureza. Não é um ônus, um peso, em estorvo, menos ainda uma reprimenda dos deuses”.
“A Constituição Federal opera com intencional silêncio. Mas a ausência de lei não é ausência do direito, porque o direito é maior que a lei. O sexo das pessoas, salvo expressa disposição constitucional em contrário, não se presta como fator de desigualação jurídica. Entre interpretar o silêncio como vedação ou autorização, a segunda interpretação é a mais correta”.
“Quem ganha com a equiparação postulada pelo homoafetivos? Os homoafetivos. Quem perde? Ninguém perde. Os homoafetivos não perdem, os heterossexuais não perdem, a sociedade não perde”.
(ministro Ayres Britto)

“Onde há sociedade, há o direito. Se a sociedade evolui, o direito evolui. Os homoafetivos vieram aqui pleitear uma equiparação, que fossem reconhecidos à luz da comunhão que tem e acima de tudo porque querem erigir um projeto de vida. Daremos a esse segmento de nobres brasileiros mais do que um projeto de vida, um projeto de felicidade”.
O homossexualismo é um traço da personalidade, não é uma ideologia nem é uma opção de vida”.
“A homossexualidade caracteriza a humanidade de uma pessoa. Não é crime. Então por que o homossexual não pode constituir uma família? Por força de duas questões que são abominadas por nossa Constituição: a intolerância e o preconceito”.
(ministro Luiz Fux)

“Aqueles que fazem a opção pela união homoafetiva não podem ser desigualados da maioria. As escolhas pessoais livres e legítimas são plurais na sociedade e assim terão de ser entendidas como válidas. (...) O direito existe para a vida não é a vida que existe para o direito. Contra todas as formas de preconceitos há a Constituição Federal. [Os preconceitos] não podem se repetir sem que sejam lembrados como traço de momento infeliz da sociedade. A escolha por uma união homoafetiva é individual e única”.
(ministra Cármen Lúcia)

“Entendo que uniões de pessoas do mesmo sexo, que se projetam no tempo e ostentam a marcada da publicidade, devem ser reconhecidas pelo direito, pois dos fatos nasce o direito. Creio que se está diante de outra unidade familiar distinta das que caracterizam uniões estáveis heterossexuais”.
“Dela [a união estável homoafetiva] resultam direitos e obrigações que não se podem colocar à margem do Estado ainda que não haja definição específica sobre essa relação”.
(ministro Ricardo Lewandowski)

“Estamos aqui diante de uma situação de descompasso em que o Direito não foi capaz de acompanhar as profundas mudanças sociais. Essas uniões sempre existiram e sempre existirão. O que muda é a forma como as sociedades as enxergam e vão enxergar em cada parte do mundo. Houve uma significativa mudança de paradigmas nas últimas duas décadas”.
O não reconhecimento da união homoafetiva simboliza a posição do Estado de que a afetividade dos homossexuais não tem valor e não merece respeito social. Aqui reside a violação do direito ao reconhecimento que é uma dimensão essencial do princípio da dignidade da pessoa humana”.
(ministro Joaquim Barbosa)

“O limbo jurídico inequivocamente contribui para que haja um quadro de maior discriminação e talvez contribua até mesmo para as práticas violentas de que temos notécia. É dever do estado de proteção e é dever da Corte Constitucional dar essa proteção se, de alguma forma, ela não foi engendrada ou concedida pelo órgão competente”.
“A ideia de opção sexual está contemplada no exercício de liberdade. A falta de um modelo institucional que abrigue essa opção acaba militando e contribuindo para as restrições, para a discriminação”.
O fato de a Constituição proteger a união estável entre homem e mulher não significa negar proteção à união do mesmo sexo”.
(ministro Gilmar Mendes)

“O reconhecimento hoje pelo tribunal desses direitos responde a um grupo de pessoas que durante longo tempo foram humilhadas, cujos direitos foram ignorados, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida. As sociedades se aperfeiçoam através de inúmeros mecanismos e um deles é a atuação do Poder Judiciário”.
“O Tribunal lhes restitui o respeito que merecem, reconhece seus direitos, restaura sua dignidade, afirma sua identidade e restaura a sua liberdade”.
Uma sociedade decente é uma sociedade que não humilha seus integrantes”.
(ministra Ellen Gracie)

"Se o reconhecimento da entidade familiar depende apenas da opção livre e responsável de constituição de vida comum para promover a dignidade dos partícipes, regida pelo afeto existente entre eles, então não parece haver dúvida de que a Constituição Federal de 1988 permite que seja a união homoafetiva admitida como tal".
O Brasil está vencendo a guerra desumana contra o preconceito, o que significa promover o desenvolvimento do Estado de Direito, sem dúvida alguma”.
“Se duas pessoas de igual sexo se unem para uma vida afetiva comum, o ato não pode ser lançado à categoria jurídica imprópria. Impõe-se a proteção jurídica integral, qual seja o reconhecimento de regime familiar”.
(ministro Marco Aurélio Mello)

"Esse julgamento marcará a vida deste país e imprimirá novos rumos à causa da homossexualidade. O julgamento de hoje representa um marco histórico na caminhada da comunidade homossexual. Eu diria um ponto de partida para outras conquistas".
(ministro Celso de Mello)

“O Poder Legislativo, a partir de hoje, tem que se expor e regulamentar as situações em que a aplicação da decisão da Corte seja justificada. Há, portanto, uma convocação que a decisão da Corte implica em relação ao Poder Legislativo para que assuma essa tarefa para a qual parece que até agora não se sentiu muito propensa a exercer”.
(ministro Cezar Peluso)

PARA RIR UM POUCO
Tipo de bicha:
- Bicha que fica toda feliz de o casamento gay ter sido aprovado, até lembrar que ninguém quer casar com ela!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Armários Vazios

Quando uma criança nasce, se é menino usa azul; se é menina, rosa. Rapazes brincam com carrinhos; gurias, com bonecas. Homens jogam futebol, falam de política e sexo; mulheres cozinham, cuidam da casa e dos filhos. O sexo masculino tem que gostar do feminino; e a figura feminina necessita de uma masculina. Superficialmente, este é o paradigma, a regra, o considerado padrão correto, aceitável e digno. Mas e quando alguém não se identifica com o que é comum para a maioria?
Toda vez que um menino quer um brinquedo rosa ou quer brincar de casinha, os adultos já dizem “Isso não é coisa de homem!” – ele percebe que não pode gostar de algumas coisas. Toda vez que, na Educação Física, um rapaz quer jogar queimada, ao invés de futebol, e o professor não deixa – ele é obrigado a se encaixar em um grupo com o qual não se identifica. Toda vez que uma mulher fala que algum artista (digamos, Jake Gyllenhaal) é um “deus grego”, e o gay não pode falar o que pensa (“Concordo plenamente. Que homem gostoso!”) – ele tem receio de se expressar. Nas citadas situações e em milhares de outras, a cada mínima coisa fora do que é “comum”, o ser humano (antes de tudo!) gay é empurrado para um armário escuro, solitário, frio e aterrorizante.
Já pensou se você não pudesse fazer o que gosta, falar o que pensa, se vestir como quer, viver como deseja, amar quem você ama – enfim, não pudesse ser você mesmo? Você se anularia, parcial ou completamente, para se encaixar ao que a sociedade considera “natural”, “normal”, “correto”? Ou você preferiria ter o rótulo de “abominação”, ser o que é, e tentar mudar o pensamento geral da sociedade por meio da sua conduta de vida?
Há mais de 15 dias, o cantor Ricky Martin assumiu que é homossexual, depois de 38 anos de vida e mais de 25 anos de carreira, desde que entrou no extinto grupo Menudos. Este não é um caso isolado. Cantores e atores disseram ser gays ou bissexuais nos últimos tempos (Não "fim dos tempos"!). E, neste ano, vimos o considerado “BBB Colorido”. Ouço muitos afirmarem: “Nunca houve tantas ‘bichas’ no mundo?” Ou, pior: “O mundo está perdido mesmo!”
Acredito que a proporção de homossexuais no planeta é a mesma. Não li sobre nenhuma estatística oficial que prove que os gays estão dominando o mundo. O que está acontecendo é: Os armários estão ficando vazios! Para o desespero dos homofóbicos.
Todas as pessoas deveriam se colocar no lugar dos gays. (O ideal mesmo seria haver uma mágica em que, literalmente, fosse possível trocar de pele e sentimentos, pelo menos por 24 horas). Ninguém faz idéia de como é viver dentro do armário, a não ser quem está ou esteve lá.
Desde que me assumi (por etapas, ao longo dos quase últimos dois anos), todo dia luto para não voltar a entrar nessa “prisão emocional”.
A primeira etapa – tirar um pé do armário – é a autoaceitação. Demorei 16 anos para falar, pela primeira vez, a outra pessoa as três palavras mágicas: “Eu sou gay!”. Sempre soube o que era e o que queria, mas, mesmo assim, não foi fácil me assumir. Há pessoas que com 12 anos já são totalmente resolvidas. Quanto antes, melhor! O problema é que muitas pessoas sofrem sozinhas, caladas, pensando serem as únicas no mundo a ter aquela “doença”, “maldição”. Atualmente, temos a internet, que pode ser um dos motivos de tantas pessoas saírem do armário, já que conversar com outros iguais, trocar informações e conhecer novos amigos ou amores se tornou muito mais fácil.
Depois, geralmente, o homossexual se assume para os amigos. Mais um pezinho sai do armário. Aqui, muitas vezes, a aceitação costuma ser maior, pois cada um conhece o amigo que tem do lado, tem ideia de como será a reação dele. Porém, cada caso é um caso. Posso dizer que, quando meus melhores amigos souberam qual é a minha orientação, nossa amizade se fortaleceu sobremaneira. Amigos verdadeiros sempre ficarão do seu lado, te apoiando, aconselhando e, mesmo talvez não te entendendo, te aceitando.
Falar para a família: “Eu, filhinho/maninho/netinho, sou gay” é colocar a cara para fora do armário, com todo o perigo de levar um tapa da mamãe (que nem sempre aceita, como diz um quadro do Zorra Total), um murro do papai (‘Prefiro um filho morto!’), um cuspe dos irmãos (‘Não te conheço!’) ou puxão de orelha da avó (“Quer me matar logo, né?!”). Mesmo em situações onde os pais sempre desconfiaram, ou em uma família liberal – Quem dera fosse como em Ugly Betty, que a mãe faz uma festa ‘Saindo do Armário’ para o filho gay –, nunca vai ser uma notícia simples. É preciso lembrar que, para eles, os sonhos de casamento, ter netos/sobrinhos/bisnetos, etc. estão indo por água abaixo. Mesmo que não seja a realidade. Contudo, é nesta etapa que se coloca o rosto para fora, para ver quem verdadeiramente está do seu lado e ver se tem apoio para sair de corpo todo ou se volta para dentro do armário.
A fase anterior pode ser a mais difícil e dramática, mas é contra esta última que se trava uma batalha durante toda a vida. Assumir-se para a sociedade é sair definitivamente do armário, de cabeça erguida. É ter coragem para correr o risco de andar pela rua e levar “pedradas” todos os dias, ouvir xingamentos, sofrer insultos, preconceito, discriminação. É ter coragem de levar o marido para a confraternização de final de ano da empresa em que trabalha. É ter a ousadia de andar de mãos dadas na rua. É ter orgulho de responder a quem perguntar: “Namorada não, namoradO!”. É solicitar no check-in de um hotel um quarto com cama de casal e não duas de solteiro. É discutir com quem dá opiniões homofóbicas. É enfrentar o medo e, por exemplo, dar entrevista, para uma revista falando sobre homossexualidade, com o nome verdadeiro e não com um fictício (coisa que fiz para o Jornal da UCB nos últimos dias – e pensei muito antes de dar meu nome real). Não é nem um pouco fácil!
Algumas pessoas me perguntaram em várias ocasiões – seja uma amiga, em relação à entrevista; seja minha mãe, quanto a me assumir para minha avó; etc.: “Por que dizer para ‘Deus e o mundo’ que você é gay? Por que as pessoas precisam saber? Por que não ficar calado? Ninguém precisa saber!”.
Não. Ninguém precisaria saber. Não quero me assumir para mostrar que sou “rebelde”, “diferente”. Muito menos, não quero “envergonhar” minha família. Mas somente quem é homossexual vai entender essa necessidade – e não uma simples vontade. Explicar para os heterossexuais o porquê sair do armário é complicado, mas o gay SENTE que deve colocar para fora o que teve que segurar dentro de si a vida inteira.
A pergunta, sobre se eu deveria usar meu nome verdadeiro ou não na entrevista, ao invés de ser “Por que dizer seu nome?”, deveria ser: “Por que NÃO dizer meu nome?”. Eu tenho vergonha de ser o que sou? Tenho medo do que vão falar de mim?
Enfrentar a vergonha e o medo, por exemplo, é sair do armário com o peito estufado, mesmo com a possibilidade de descarregarem a munição em você. Cada um leva seu tempo. Cada um demora um período para vestir o colete a prova de balas e sair gritando “Guerra!” aos homofóbicos.
Não me entenda mal. Nunca é uma decisão simples de ser tomada. Durante toda a vida, os homossexuais vão ter que lutar contra si mesmos (seus próprios preconceitos e medos) e contra o mundo (por Liberdade, Igualdade, Fraternidade, etc. – Respeito, pelo menos).
Se o mundo está perdido? Quando vejo pessoas como Marcelo Dourado ganhando o BBB, acredito que sim. O problema não é nem a pessoa que ele é, mas, como li, o que ele representa.
O mundo estará perdido até perceber que o normal não é apenas o comum; até entender que toda regra tem exceção, e que a exceção não é algo a ser eliminado, algo ruim, mas sim entender que o diferente também é natural. E, acima de tudo, quando as pessoas passarem a colocar em prática o ensinamento de Jesus: "Amar ao próximo como a si mesmo!"
Torço para que todos os que estão dentro do armário (completamente, com um pé, os dois, a cabeça e/ou o tronco) tenham o discernimento de saber qual é o melhor momento para se assumir, tenham a bravura suficiente para deixar esses armários vazios e, de preferência, só tornem a enchê-los com todo o preconceito, discriminação, ódio, medo e desrespeito que há na sociedade. Por fim, que todos os gays tranquem o armário, com todos os males dentro, para todo o sempre e joguem a chave fora.

There's a "he" wolf in the closet
Open up and set "him" free
There's a "he" wolf in your closet
Let it out so it can breathe

segunda-feira, 29 de março de 2010

Memórias Reveladas

No dia 29 de março de 2010, por volta das 16h (horário de Brasília), Ricky Martin postou uma citação de Martin Luther King Jr., em seu twitter (@ricky_martin): “Nossas vidas começam a morrer no dia em que calamos coisas que são verdadeiramente importantes”.*
Minutos depois ele fez um novo tweet, intitulado “Minha vida”*, com um link que era redirecionado para seu site oficial. Quem acessar a página encontrará a seguinte mensagem:

“Nos últimos meses, me dei a tarefa de escrever minhas memórias. Um projeto que sabia ser verdadeiramente importante para mim, porque, desde que escrevi a primeira frase, me dei conta que seria a ferramenta que ajudaria a libertar-me de coisas que vinha carregando há muito tempo. Coisas que pesavam muito. Escrevendo este minucioso inventário da minha vida, me acerquei das minhas verdades. E isto é de se celebrar!
Se existe um lugar que me completa, porque estremece minhas emoções, é o palco - é o meu vício. A música, o espetáculo, o aplauso, estar em frente a um público me faz sentir que sou capaz de qualquer coisa. É um tipo de adrenalina e euforia que não quero que deixe de correr pelas minhas veias jamais. Se vocês, o público e a musa me permitem, espero seguir nos palcos muitos anos mais. Porém hoje, a serenidade me leva a um lugar muito especial, de reflexão, compreensão e muita iluminação. Sinto-me livre! E quero compartilhar isto.
Muita gente me disse que não era importante fazer isto, que não valia a pena, que tudo pelo o que trabalhei e tudo o que havia conseguido se colapsaria. Que muitos neste mundo não estariam preparados para aceitar minha verdade, minha natureza. E como estes conselhos vinham de pessoas que amo com loucura, decidi seguir em frente com minha “quase verdade”. MUITO RUIM. Deixar-me seduzir pelo medo foi uma verdadeira sabotagem à minha vida. Hoje me responsabilizo por completo por todas minhas decisões, e por todas minhas ações.
E se me perguntarem no dia de hoje: “Ricky, de que você tem medo?” Eu responderia: “Do sangue que corre pelas ruas dos países em Guerra, da escravidão sexual infantil, do terrorismo, do cinismo de alguns homens no poder, do sequestro da fé”. Porém medo da minha natureza, da minha verdade? NÃO MAIS! Pelo contrário, estas me dão valor e firmeza. É justo o que necessito para mim e para os meus, ainda mais agora que sou pai de 2 criaturas que são seres de luz. Tenho que estar à sua altura. Seguir vivendo como o fiz até hoje, seria opacar indiretamente esse brilho puro com o qual meus filhos nasceram. JÁ BASTA! AS COISAS TÊM QUE MUDAR! Estou certo que isto não significa que aconteceria há 5 ou 10 anos atrás. Isto significa que aconteceria hoje. Hoje é meu dia, este é meu tempo, meu momento.
Que acontecerá de agora em diante? Quem sabe. Somente posso me focar no que estou vivendo agora. Estes anos em silêncio e reflexão me fortaleceram e me recordaram que o amor vive dentro de mim, que a aceitação a encontro em meu interior, e que a verdade só traz a calma. Hoje, para mim, o significado de felicidade toma outra dimensão.
Foi um processo muito intenso, angustiante e doloroso, mas também libertador. Juro a vocês que cada palavra que estão lendo aqui nasce de amor, purificação, fortaleza, aceitação e desprendimento. Que escrever estas linhas é a aproximação à minha paz interna, parte vital da minha evolução. Hoje ACEITO MINHA HOMOSSEXUALIDADE como um presente que me dá a vida. Sinto-me bendito de ser quem sou!

RM”*

Que o Ricky seja inspiração para muitas outras pessoas se aceitarem como são e serem verdadeiramente felizes. Que ele seja exemplo do que é passar anos tentando esconder o que se é, sem nunca alcançar a paz interior – e que muitos não precisem passar por isso para perceber a realidade. Porque, antes de tudo, o Ricky continuará a ser essa pessoa abençoada, que alegra nossas vidas com sua música, e que busca transformar, por meio de seus inúmeros trabalhos sociais, o mundo em um lugar melhor.
Parabéns, Ricky, por dar este importante passo na sua vida! Todos os seus fãs continuarão a te amar, ou melhor, passaremos a te amar mais ainda, porque agora te vemos como você realmente é! Que Deus te abençoe!

Life, it's the only thing that you get for free
Free is what we all want to be


* Tradução livre do espanhol para o português.
Fonte: @ricky_martin my life- my vida: http://bit.ly/rmlife

quinta-feira, 18 de março de 2010

SP Third Time + Guarapa

Visitei Guarapari - ES, pela quarta vez, entre dezembro e janeiro, e fiquei 19 dias fora, na praia, com minha família (pais, irmão e avós). Aproveitei para conhecer Vila Velha (duas praias, Convento da Penha, Fábrica da Garoto e shopping) e Vitória (feirinha e shopping). Foi uma viagem mais para descansar e realmente não fazer nada. No Natal fizemos um churrasco no condomínio e Ano Novo foi na praia do Morro, com direito a parquinho de diversões. O condomínio que ficamos é muito bom e final de ano enche muito. A piscina ficava cheia de corpos jovens e bonitos – adorava ficar lá tomando banho de piscina ou apenas lendo um livro.
As praias que recomendo em Guarapari, na ordem das que mais gostei, são:
- Praia dos Padres: entre Nova Guarapari e Meaípe, é uma praia pequena, dentro de uma propriedade particular. Em algumas épocas é bastante freqüentada por surfistas. É linda! Foi nessa praia que tenho uma das minhas melhores lembranças da viagem.
- Praia do Morro: a principal de Guarapari e a mais badalada. Se você gosta de gente, esse é o lugar! Dependendo do dia, tem ótimas ondas. E no final direito da praia tem uma trilha bem legal, que leva a outras praias e a umas pedras!
- Praia dos Castelhanos: depois de Meaípe. Fui por dois dias. Em um deles, a água estava bem parada, no outro dia, eu peguei as maiores ondas de toda a viagem. A praia é ótima!
- Praia de Peracanga: em Nova Guarapari, é um pouco mais familiar, mas bem bonitinha. Tem dia que enche também. Na ponta esquerda da praia, onde tem mais ondas, avistei uma tartaruga nadando perto de mim.
- Praia de Bacutia: ao lado da anterior, é o point dos jovens e bonitos! Simples assim. Todas as pessoas bonitas de Guarapari estão nessa praia.
- Praia de Setiba: no caminho para Vitória. É bem cheia, mas bem legal também!


Em fevereiro, fui à São Paulo pela terceira vez, com mais dois amigos de Brasília – Thyago, viajante e participante da comunidade do Eber, e Stênio. Os motivos eram três: ir a uma boate, ir ao show da Beyoncé e ir ao Hopi Hari.
Na ida, de ônibus, eu e Thyago passamos por uma situação terrível: nosso ônibus foi assaltado. Na verdade, a maioria dos ônibus está sendo assaltada entre o final de GO e MG. Não vou relatar o acontecido, mas me levaram celular, relógio, câmera fotográfica, dinheiro e mochila – restaram as roupas. Ninguém se feriu e os ladrões foram até gente boa, tratando todo mundo bem e deixando cartões, documentos, cheques, chip’s de celular, etc. Tirando o susto e o fato de ter que fazer uma pequena dívida pra curtir a viagem, tudo deu certo. Fiz tudo o que queria.
Na sexta-feira, dia em que chegamos, fui direto para o albergue Casa Club Hostel Bar (Vila Madalena. R$35 a diária – com um bar embaixo bem badalado), que era o hostel mais próximo do Morumbi (40min de ônibus) e em um dos melhores bairros (amei a Vila Mada!), a 1km da boate que fomos. Depois de tomar um banho e comer, fui buscar meu ingresso do show no Shopping Morumbi e conhecer o caminho até o estádio Morumbi. Acabei encontrando o Thyago no final da tarde, pois foi buscar o ingresso também. À noite, quando o Stênio chegou, fomos fazer nosso primeiro programa – ir à boate gay Bubu. A melhor de São Paulo! O lugar é simplesmente fantástico e nenhum lugar em Brasília chega perto de lá. São duas pistas bombantes (uma pop e outra eletrônica), além do lounge. Ficamos de 1h às 4h dançando sem parar. Não vejo a hora de voltar. Dica: na Sexta Fun! a entrada custa R$40 – eu e o Stênio consumimos pouco e na saída cobraram somente o valor da entrada. Achamos o máximo. “Eles nem viram o que consumimos!” Viemos a descobrir depois que era 40 reais “consumação” – poderíamos gastar até esse valor em bebidas! Isso é o que dá ser da roça e não freqüentar baladas que prestem! Obs.: foi a primeira boate que fui na vida! Comecei com o pé direito, definitivamente.
Sábado foi dia de show da Beyoncé. Cheguei ao estádio às 9h30 da manhã, sozinho, já que não tinha notícias do Thyago e o Stênio tinha ido buscar o ingresso dele. Logo fiz amizade na fila com um pessoal de SP mesmo. O que eu fiquei triste é que a fila estava enorme, bem diferente de quando fui ao show da Madonna. Depois de horas debaixo de um sol escaldante, às 15h, abriram os portões para entrar no estádio. O primeiro terço da Pista é insuportável, muito apertado e, debaixo do sol, estava terrível – só vale a pena se estiver perto da grade. O Stênio desistiu e foi para trás, e acabei indo também quando o Thyago chegou. Eis que nossas preces foram atendidas e o sol sumiu. Um chuvisco seria ótimo! Mas não. A prece de 60 mil pessoas pedindo um chuvisco gerou uma tempestade! O chão inundou, telões foram destruídos – eu JUREI que o show fosse ser cancelado! Então resolvemos nos abrigar dentro do estádio. Meus amigos de fila, que hora nenhuma arredaram o pé da muvuca, nem debaixo de chuva, acabaram chegando à grade da Pista. Inveja! Meia hora antes de o show começar, depois de torcer toda a roupa e da chuva ter parado, Eber e Jenni finalmente chegaram e fomos para o gramado. Acabamos ficando no meio da Pista e vimos todo o show pelo telão, basicamente. Ivetinha abriu o show, mas nem deu para prestar muita atenção, pois os telões ainda estavam sendo arrumados e nós procurávamos um bom lugar. O que falar do espetáculo da Beyoncé? É fantástico como deveria ser o show de uma diva! Só perde para Madonna e Kylie. Ela é a negra mais linda que já vi, com altas caras e bocas, e a melhor dançarina, sem falar na voz arrasadora. As melhores partes para mim foram os interludes de Sweet Dreams e Single Ladies (que mostra vários fãs dançando, além de famosos como o Justin Timberlake e Obama); as músicas Radio, Get me Bodied, Diva... Bem, todas! Em um dos vídeos, mostra-a criancinha cantando – desde pequena uma artista. Eu queria que me tivesse acontecido uma dessas quatro coisas:
1- Estar no corredor, dentro da área Vip, por onde ela passa para ir ao palco separado, e pegar na mão dela!
2- Que ela me perguntasse “What’s your name? [...] What’s my name?” e ter respondido “Beyoncé, girrrrrl!”. Além de ganhar uma toalhinha com o suor dela.
3- Que ela me visse, na parte que começa a descrever alguns fãs, por exemplo: “I see you... with your white T-shirt and a brazilian flag in your hand...”.
4- Ser meu aniversário, para que ela cantasse Happy Birthday to me...
Por fim, no domingo, boa parte dos meus amigos da comunidade ‘Eber, quero fazer um mochilão’ se encontrou para um Orkontro no Hopi Hari! Outro sonho realizado. Foi um dia fabuloso, em que nos divertimos muito em brinquedos como a Torre Eiffel (que o Stênio jura que nunca mais vai na vida), com seus 69 metros de queda em 3 segundos; Montezum, a maior montanha-russa de madeira da América Latina; Looping, unanimidade para todos; e, como não poderia deixar de ser, o Skycoaster – 53 metros de altura, 20 metros de queda livre, com velocidade que chega a 120km/h e passa a 2 metros do chão. Loucura total! Eu quase morri do coração, mas valeu a pena! O dia terminou na pizzaria que foi o primeiro lugar que sai em SP.
Lu, Clayton, Isa, Deise, Lu de Melo, Eber, Gus, Vana e Elvis – adorei rever alguns de vocês e conhecer alguns de vocês! Obrigado por toda a ajuda (incluo aqui também a Manu, que mesmo não a vendo, ligou pra mim). Espero voltar em breve e passar mais um dia maravilhoso na vossa presença!