domingo, 25 de dezembro de 2011
Outros Favoritos de 2011
1- Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
2- A Árvore da Vida
3- Melancolia
4- Meia-Noite em Paris
5- A Pele que Habito
Nunca haverá alguma série como Harry Potter. Ponto. 10 anos após o primeiro filme – e 14 anos após o lançamento do primeiro livro – a saga finalmente chegou ao fim. E que fim. Por sua importância histórica – e sua importância na vida de uma geração – é o melhor do ano.
Filmes Favoritos de Anos Anteriores Vistos em 2011
1- Cisne Negro (2010)
2- O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001)
3- 127 Horas (2010)
4- O Discurso do Rei (2010)
5- 72 Horas (2010)
Tratando-se de Brasil, no primeiro semestre do ano é quando podemos ver a maioria dos filmes lançados no ano anterior que participaram de premiações. Cisne Negro não ganhou o Oscar de Melhor Filme, mas ganhou o coração de várias pessoas – o meu. Inesquecível.
Filme Favorito de Temática LGBT
- Teus Olhos Meus (2011)
Uma excelente surpresa que o Festival Mix Brasil apresentou. Infelizmente, não deve chegar ao mainstream dos cinemas brasileiros, mas se tiver oportunidade de ver, não perca. O filme é lindo e o final é chocante. Já quero rever.
Livro Favorito
- Salto Mortal - de Marion Zimmer Bradley
Nem vou comentar, pois fiz um post enorme sobre este livro meses atrás neste blog. Você pode ler clicando AQUI. Repito apenas uma coisa: leia o livro!
Nova Série Favorita
- Game of Thrones
Concorrendo a dois Globos de Ouro, incluindo Melhor Série Dramática, Game of Thrones foi a melhor estreia do ano. Quem não leu os livros, já está correndo atrás de seus exemplares. E eu vou ali comprar o meu, porque PRECISO saber o que vai rolar na 2ª temporada!
Temporada Favorita
- 4ª temporada de Breaking Bad
Quase desisti a cada episódio da 1ª temporada – não conseguia me conectar. Graças a Deus não parei. A partir da segunda eu devorei a série. Esta última temporada teve momentos memoráveis. Todo mundo que acompanhou considera uma das melhores temporadas do ano. [Vídeo contém spoilers das primeiras temporadas]
CDs Favoritos de 2011
Melhores do CD: Lego House; The A Team; Wake me up.
Ouvi por acaso e tive a melhor surpresa do ano. The A Team foi um grande sucesso no Reino Unido este ano. O grande diferencial do Ed são suas letras, que transpiram honestidade e falam de diversos sentimentos sem ser piegas ou cair em clichês.
2- Adele – 21 (3,86*)
Melhores do CD: Set the Fire to the Rain; Someone Like You; Rolling in the Deep.
Sem dúvidas, a cantora do ano é Adele. Rolling in the Deep chegou a #1 em vários países – e esta foi a música que deve ter tido mais covers na história, a ponto de quase enjoar. O que ninguém entende é que somente a Adele deveria cantar suas músicas. Ninguém é como ela.
3- Patrick Wolf – Lupercalia (3,81)
Melhores do CD: Time of my Life; The City; The Days.
Outro que me conquistou pelas letras tão profundas e reais. Patrick tem outros álbuns ótimos e não deixa a desejar neste 5º CD. O álbum fala basicamente sobre apaixonar-se, e o cantor diz que se tratam de histórias verdadeiras, não disfarçadas com folclores ou contos de fadas.
4- Nicola Roberts – Cinderella’s Eyes (3,75)
Melhores do CD: Beat of my Drum; Yo-Yo; Gladiator.
Praticamente não conheço as Girls Aloud, muito menos a ruivinha mais apagada dentre as garotas. Contudo, que surpresa para mim – e para todos – quando Nicola começou a divulgar seu trabalho solo. Beat of my Drum é simplesmente uma das melhores músicas do ano.
5- Florence + The Machine – Ceremonials (3,75*)
Melhores do CD: Shake it out; No Light, No Light; What the Water Gave me.
Demorei a gostar da Florence Welch. Somente no começo do ano me entreguei às músicas de Lungs, ou seja, um ano e meio após o lançamento. Não cometi o erro desta vez. E não poderia haver outro melhor single para divulgar o CD – Shake it out. Os clipes e apresentações... wow!
6- Coldplay – Mylo Xyloto (3,71)
Melhores do CD: Paradise; Every Teardrop is a Waterfall; Princess of China (feat. Rihanna).
Às vezes me esqueço o quanto Coldplay é bom. Uma das maiores decepções da minha vida é não ter ido vê-los no Rock in Rio, onde pude conhecer algumas das músicas que estariam no novo álbum, lançado dias depois. Como sempre, ótimos – mais uma vez me lembrei.
7- The Sound of Arrows – Voyage (3,69*)
Melhores do CD: Magic; Into the Clouds; Longest Ever Dream.
Conheci esta dupla sueca de música eletrônica através do Oh My Rock! [Onde tem uma entrevista exclusiva AQUI] Desde 2009 divulgando uma ou outra música, finalmente lançaram seu primeiro CD, com novas músicas e algumas conhecidas melhoradas. Os clipes são mágicos!
8- Lady Gaga – Born This Way (3,65*)
Melhores do CD: The Edge of Glory; Marry the Night; Electric Chapel.
A propaganda foi grande. A promessa de melhor CD do ano, que revolucionaria a música pop, não se cumpriu. Longe disso. Porém, o álbum é realmente muito bom e consistente. E, tratando-se de Gaga, tudo é um espetáculo: as apresentações, os videoclipes... [começa em 7:55]
9- The Wanted – Battleground (3,64)
Melhores do CD: Glad You Came; Lightning; Gold Forever.
Quem diria que uma boyband estaria aqui? Glad You Came me pegou de jeito este ano. Que música gostosa! E os meninos prometem. Este ano estiveram no Brasil com o Justin Bieber, até apareceram na Globo. Resta torcer para continuar melhorando e não mais abrir shows dos outros, ainda mais do Bieber.
10- Jamie Woon – Mirrorwriting (3,61)
Melhores do CD: Lady Luck; Spiral; Night Air.
Uma das promessas do ano, de acordo com a BBC, Jamie Woon não decepcionou. O que tenho a dizer é que o CD é uma delícia... Dá um play logo no videoclipe, curta a música e relaxe ao som de Night Air – se for à noite, ao ar livre, melhor ainda.
11- Britney Spears – Femme Fatale (3,59*)
Melhores do CD: Up ‘n Down; He About to Lose me; Big Fat Bass (feat. Will.I.Am).
Ela já teve altos e muitos baixos. Não dança como antigamente, nem canta ao vivo. Muito menos tem o mesmo corpo e energia. Circus não foi grande coisa. Pode ser totalmente produzida, mas ninguém pode negar o poder de suas músicas. Britney fez uma macumba “braba”, porque, apesar de tudo, suas músicas não saem das paradas, rádios, baladas, do play...
12- The Weeknd – House of Balloons (3,56)
Melhores do CD: House of Balloons / Glass Table Girls; Wicked Games; High for This.
Está presente nas principais listas de melhores do ano e realmente vale muito a pena. Só não está melhor localizada na minha lista por gosto pessoal mesmo – não sou muito fã de R&B. House of Balloons é o primeiro de uma trilogia lançada em 2011. Confira os outros!
Melhor CD/EP Nacional (1 de 7)
- Wanessa – DNA (3,54*)
Melhores do CD: Falling for You; Stuck on Repeat; Sticky Dough (feat. Bam Bam).
Melhor EP (1 de 14) e Melhor Videoclipe
- Woodkid – Iron (4,25)
Melhor do EP: Iron
*CD standard + bonus tracks
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
ZQ - Mais um bom exemplo!

"Quando eu soube que Jamey Rodemeyer havia se matado, eu me senti profundamente perturbado. Mas quando eu soube que Jamey Rodemeyer fizera um vídeo “It Gets Better” apenas alguns meses antes de tirar sua própria vida, eu senti um desespero indescritível. Eu também fiz um vídeo “It Gets Better” ano passado, no despertar dos trágicos e sem sentido suicídios de adolescentes que estavam varrendo a nação no momento. Mas, à luz da morte do Jamey, em um instante tornou-se claro para mim que viver uma vida gay sem publicamente reconhecê-la simplesmente não é suficiente para fazer qualquer contribuição significante ao imenso trabalho que existe pela frente no caminho para a completa igualdade. Nossa sociedade precisa reconhecer o momento imparável rumo à inequívoca igualdade civil para cada cidadão gay, lésbica, bissexual e transgênero deste país. Jovens gays precisam parar de se matar porque são levados a se sentir sem valor pelo cruel e implacável “bullying”. Os pais precisam ensinar a seus filhos princípios de respeito e aceitação. Estamos testemunhando uma enorme mudança de consciência coletiva em todo o mundo. Estamos no precipício da grande transformação dentro de nossa cultura e governo. Eu acredito no poder da intenção de mudar a paisagem da nossa sociedade – e é minha intenção viver uma autêntica vida de compaixão, integridade e ação. A vida do Jamey Rodemeyer mudou a minha. E, embora sua morte apenas me faça desejar ter feito isto antes, eu sou eternamente grato a ele por ser o catalisador para a mudança dentro de mim. Agora eu posso apenas esperar servir como o mesmo catalisador para ao menos uma outra pessoa neste mundo. Isso, eu acredito, é tudo o que podemos pedir de nós mesmos e de cada um."
Zachary Quinto
http://www.zacharyquinto.com/news/2011/10/post.html
- Projeto It Gets Better (em inglês):
http://www.itgetsbetter.org/
- Vídeo do Jamey:
http://www.youtube.com/watch?v=440bOCfBtu0
- Vídeo do Zachary:
http://www.youtube.com/watch?v=D0OeSs870ys
- Texto sobre o Jamey:
http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2011/09/23/quem-matou-rodemeyer/
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Bíblia + (ou) x Homossexualidade


sexta-feira, 6 de maio de 2011
Um passo rumo à Igualdade

Os dez ministros que votaram, por unanimidade, a favor do reconhecimento da união homoafetiva, equiparando-a à união estável entre homem e mulher, presente na Constituição Federal, fizeram história no Brasil.
Mais um passo em direção à igualdade de direitos e ao respeito à diversidade foi dado. O STF – mais alta instância do país – se mostrou justo e íntegro, não deixando-se levar pelos apelos populares contrários, mas reconhecendo o que já deveria ser fato a muito tempo.
Eu – sei que também em nome de muitos outros homossexuais – sou grato aos ministros por essa vitória importantíssima na luta contra o preconceito e a discriminação de LGBTs. Eram 78 (há quem diga 111) direitos negados pelo fato de a união estável entre pessoas do mesmo sexo não ser reconhecida como um tipo de instituição familiar.
Sou grato por poder: me casar (mesmo que não seja um casamento civil, direito ainda a ser conquistado); adotar o nome do meu parceiro; fazer financiamentos, compras e alugueis em conjunto; inscrever meu parceiro como dependente em meu plano de saúde, imposto de renda e previdência social; acompanhar meu parceiro em caso de transferência de emprego; estar junto ao meu parceiro caso ele esteja internado em um hospital, e, se preciso, tomar decisões quanto a seu tratamento; ter direito à pensão alimentícia, herança, e à garantia de bens em caso de separação; ter direito a dias para comemorar meu casamento, ou para enlutar-me pela morte do meu parceiro; e, muito importante, ter o mesmo tratamento que casais heterossexuais na hora de formar minha própria família, por meio da adoção. Sou grato por isto e muito mais!
Reconheço que é um absurdo alegrar-me por receber algo que é meu por direito. Poderíamos não parabenizar o STF, afinal, eles não fizeram mais do que sua obrigação, contudo, em uma sociedade tão machista e religiosa como a brasileira, termos uma instituição tão importante ao nosso lado é realmente uma vitória!

Abaixo seguem algumas das falas mais importantes da sessão do STF:
"Os homossexuais devem ser tratados com mesmo respeito e consideração que os demais cidadãos, e a recusa estatal em reconhecer uniões implica, não só em privá-lo de direitos, como também importa em menosprezo a sua própria dignidade”.
“O reconhecimento jurídico das uniões homossexuais não enfraquece a família, mas antes a fortalece”.
“Privar os membros de uniões homossexuais afetivas atenta contra sua dignidade, expondo-os a situações de risco social injustificáveis”.
“Ao não-reconhecer das uniões homoafetivas, o Estado compromete a capacidade do homossexual de viver a plenitude de sua orientação sexual”.
(procurador-geral da República Roberto Gurgel)
“Se a vida, pelos seus desígnios, levasse meu filho por um caminho diferente, eu gostaria que ele fosse tratado com respeito e consideração, e que fosse acolhido pelo ordenamento jurídico e que pudesse viver em paz e segurança. E o que desejo para o meu filho é o que tenho que desejar para todas as pessoas”.
(advogado Luís Roberto Barroso)
“O órgão sexual é um plus, um bônus, um regalo da natureza. Não é um ônus, um peso, em estorvo, menos ainda uma reprimenda dos deuses”.
“A Constituição Federal opera com intencional silêncio. Mas a ausência de lei não é ausência do direito, porque o direito é maior que a lei. O sexo das pessoas, salvo expressa disposição constitucional em contrário, não se presta como fator de desigualação jurídica. Entre interpretar o silêncio como vedação ou autorização, a segunda interpretação é a mais correta”.
“Quem ganha com a equiparação postulada pelo homoafetivos? Os homoafetivos. Quem perde? Ninguém perde. Os homoafetivos não perdem, os heterossexuais não perdem, a sociedade não perde”.
(ministro Ayres Britto)
“Onde há sociedade, há o direito. Se a sociedade evolui, o direito evolui. Os homoafetivos vieram aqui pleitear uma equiparação, que fossem reconhecidos à luz da comunhão que tem e acima de tudo porque querem erigir um projeto de vida. Daremos a esse segmento de nobres brasileiros mais do que um projeto de vida, um projeto de felicidade”.
“O homossexualismo é um traço da personalidade, não é uma ideologia nem é uma opção de vida”.
“A homossexualidade caracteriza a humanidade de uma pessoa. Não é crime. Então por que o homossexual não pode constituir uma família? Por força de duas questões que são abominadas por nossa Constituição: a intolerância e o preconceito”.
(ministro Luiz Fux)
“Aqueles que fazem a opção pela união homoafetiva não podem ser desigualados da maioria. As escolhas pessoais livres e legítimas são plurais na sociedade e assim terão de ser entendidas como válidas. (...) O direito existe para a vida não é a vida que existe para o direito. Contra todas as formas de preconceitos há a Constituição Federal. [Os preconceitos] não podem se repetir sem que sejam lembrados como traço de momento infeliz da sociedade. A escolha por uma união homoafetiva é individual e única”.
(ministra Cármen Lúcia)
“Entendo que uniões de pessoas do mesmo sexo, que se projetam no tempo e ostentam a marcada da publicidade, devem ser reconhecidas pelo direito, pois dos fatos nasce o direito. Creio que se está diante de outra unidade familiar distinta das que caracterizam uniões estáveis heterossexuais”.
“Dela [a união estável homoafetiva] resultam direitos e obrigações que não se podem colocar à margem do Estado ainda que não haja definição específica sobre essa relação”.
(ministro Ricardo Lewandowski)
“Estamos aqui diante de uma situação de descompasso em que o Direito não foi capaz de acompanhar as profundas mudanças sociais. Essas uniões sempre existiram e sempre existirão. O que muda é a forma como as sociedades as enxergam e vão enxergar em cada parte do mundo. Houve uma significativa mudança de paradigmas nas últimas duas décadas”.
“O não reconhecimento da união homoafetiva simboliza a posição do Estado de que a afetividade dos homossexuais não tem valor e não merece respeito social. Aqui reside a violação do direito ao reconhecimento que é uma dimensão essencial do princípio da dignidade da pessoa humana”.
(ministro Joaquim Barbosa)
“O limbo jurídico inequivocamente contribui para que haja um quadro de maior discriminação e talvez contribua até mesmo para as práticas violentas de que temos notécia. É dever do estado de proteção e é dever da Corte Constitucional dar essa proteção se, de alguma forma, ela não foi engendrada ou concedida pelo órgão competente”.
“A ideia de opção sexual está contemplada no exercício de liberdade. A falta de um modelo institucional que abrigue essa opção acaba militando e contribuindo para as restrições, para a discriminação”.
“O fato de a Constituição proteger a união estável entre homem e mulher não significa negar proteção à união do mesmo sexo”.
(ministro Gilmar Mendes)
“O reconhecimento hoje pelo tribunal desses direitos responde a um grupo de pessoas que durante longo tempo foram humilhadas, cujos direitos foram ignorados, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida. As sociedades se aperfeiçoam através de inúmeros mecanismos e um deles é a atuação do Poder Judiciário”.
“O Tribunal lhes restitui o respeito que merecem, reconhece seus direitos, restaura sua dignidade, afirma sua identidade e restaura a sua liberdade”.
“Uma sociedade decente é uma sociedade que não humilha seus integrantes”.
(ministra Ellen Gracie)
"Se o reconhecimento da entidade familiar depende apenas da opção livre e responsável de constituição de vida comum para promover a dignidade dos partícipes, regida pelo afeto existente entre eles, então não parece haver dúvida de que a Constituição Federal de 1988 permite que seja a união homoafetiva admitida como tal".
“O Brasil está vencendo a guerra desumana contra o preconceito, o que significa promover o desenvolvimento do Estado de Direito, sem dúvida alguma”.
“Se duas pessoas de igual sexo se unem para uma vida afetiva comum, o ato não pode ser lançado à categoria jurídica imprópria. Impõe-se a proteção jurídica integral, qual seja o reconhecimento de regime familiar”.
(ministro Marco Aurélio Mello)
"Esse julgamento marcará a vida deste país e imprimirá novos rumos à causa da homossexualidade. O julgamento de hoje representa um marco histórico na caminhada da comunidade homossexual. Eu diria um ponto de partida para outras conquistas".
(ministro Celso de Mello)
“O Poder Legislativo, a partir de hoje, tem que se expor e regulamentar as situações em que a aplicação da decisão da Corte seja justificada. Há, portanto, uma convocação que a decisão da Corte implica em relação ao Poder Legislativo para que assuma essa tarefa para a qual parece que até agora não se sentiu muito propensa a exercer”.
(ministro Cezar Peluso)
PARA RIR UM POUCO
Tipo de bicha:
- Bicha que fica toda feliz de o casamento gay ter sido aprovado, até lembrar que ninguém quer casar com ela!
domingo, 1 de maio de 2011
Ah, o Amor! [6/10]
Atenção! O que você lerá a seguir não passa de achismo do autor deste blog.
Tenho uma notícia boa e uma ruim para lhe dar. A boa é: alma gêmea existe. A ruim: quase certeza que você nunca irá conhecê-la. Pronto, falei.
Sabe aqueles amores dos filmes, em que a mocinha e o rapaz (completos desconhecidos) cruzam seus olhares na rua, param abruptamente, perdem a respiração, parece que o mundo não gira e que o tempo congelou, e nada mais importa? Sim, eles existem! Não há nenhuma estatística que comprove, mas poucas pessoas no mundo devem viver esse sentimento. É um amor? Não! É mais que um amor, é a Alma Gêmea. A tão famosa Alma Gêmea! E, para cada ser humano, há somente uma única alma gêmea, diferente dos vários amores abordados no último texto da série.
O problema é: sua alma gêmea pode estar do outro lado do mundo agora! Ou não, é verdade. Ela tanto pode estar em Huaibei (China), ou na Cidade do Cabo (África do Sul), ou em Patos de Minas, como pode estar na rua de cima da sua casa, ou no mesmo prédio em que você trabalha. Neste último caso, você só tem o azar [destino?!] de não esbarrar com ela. Porém, provavelmente ela está bem longe mesmo. Sem querer desanimar, talvez você tivesse que passar por cinqüenta reencarnações (se acreditar nisso) para encontrá-la e viver a cena do filme. Como o autor deste texto só acredita numa única passagem pela Terra... Lascou tudo!

Foi dito que não existe pessoa perfeita... Bem, existe!
[E não venha dizer que foi enganado. Lembra daquele problema matemático que no Ensino Fundamental NÃO tem solução, mas que no Ensino Médio você descobre ter? Então, é a mesma coisa. Isto acontece para que você entenda o problema por partes e amadureça seu raciocínio. O mesmo agora. Perdoado? Prossigamos!]
A perfeição tem nome e sobrenome: Alma Gêmea! Pense na pessoa mais bonita que você já viu na vida – pessoalmente ou não. Bem, a sua alma gêmea é mais bonita ainda, mais do que você pode imaginar ou pensa merecer. Além da beleza exterior, para você, ela não tem defeitos. O único sonho é estar um com o outro – todo o resto serve para tornar isso possível. Vocês pensariam igual, valorizariam e sonhariam as mesmas coisas, não brigariam, completariam as frases um do outro, saberiam o que o parceiro está pensando, etc. Algo completamente sem surpresas, previsível, nojento de tão perfeito. Acha isso também? Se encontrar sua alma gêmea vai mudar de opinião. Quem escreve este texto também.

E caso você esteja casado/a com um amor e aparecer a alma gêmea na sua vida? Como faz? Vai separar, largar filhos, abandonar tudo e ir atrás da alma? Ignorá-la também é impossível, esteja avisado. Tem um filme do Clint Eastwood, chamado “As Pontes de Madison County” (The Bridges of Madison County, 1995), que mostra esse impasse [na visão deste autor].
Na história, Meryl Streep vive Francesca, uma dona de casa que fica sozinha em sua fazenda, no interior dos Estados Unidos, enquanto seu marido e seus filhos fazem uma pequena viagem. Um fotógrafo da National Geographic (vivido pelo próprio Clint) bate em sua porta, buscando informações sobre as tais pontes de Madison County. Ela, solícita, faz companhia a ele. Resumindo: eles se apaixonam [ok, não foi amor à primeira vista como dito que seria o caso das almas gêmeas] e o fotógrafo a convida para ir embora com ele. E agora? Ela vai com a alma gêmea ou fica com o amor? Francesca escolhe o amor! No final do filme, durante um jantar, o marido (talvez pressentindo algo) agradece por ela ter aberto mão de vários sonhos por ele e pela família. Algo assim.
Se você está casado com um amor, não abra mão dele por sua alma gêmea. Principalmente se você tiver filhos. A não ser que esse amor já não esteja funcionando mais – porque um de vocês ou os dois o deixaram acabar, diga-se de passagem. Razões? Além da responsabilidade para com sua família e da aliança feita entre você e seu parceiro, o amor é mais que um sentimento, também é um comportamento. Isto significa fazer escolhas, pensar no outro e não apenas em si mesmo, e buscar a felicidade alheia também, não apenas a sua. E se para você o que foi dito é apenas uma baboseira, a escritora Elizabeth Gilbert, no famoso livro “Comer Rezar Amar”, diz:
“As pessoas acham que a alma gêmea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo para que você possa mudar a sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Não. Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesmo, e depois vão embora”.
Talvez ela esteja certa, afinal. Talvez você abra mão de um amor por algo que não será eterno. Será que vale a pena? Sorte de quem acha a alma gêmea e está solteiro, porque aí pode arriscar e descobrir o que ela realmente é. Felicidade eterna ou não.
Observação: assista “As Pontes de Madison County” e leia o livro “Comer Rezar Amar”.
Próximo post: Casamento para a Vida
domingo, 24 de abril de 2011
Ah, o Amor! [5/10]
Aqui não diz respeito à sensação banalizada, expressada por muitos, a torto e a direito, aos muitos encantamentos e paixões. O amor abordado neste texto é reflexo da maturidade do sentimento, não uma mera ilusão; a outra pessoa não é mais idealizada, ela é vista como realmente é, e amada como tal – consequentemente, é um sentimento verdadeiro. Ele é mais racional que emocional. Eis a principal diferença e o que o torna tão especial.

Somente as pessoas ideais podem se tornar amores. Por todos os motivos citados no segundo texto da série, fica claro que existem relacionamentos duradouros apenas com as pessoas ideais. É possível, sim, se relacionar com outros indivíduos, mas não passarão de encantamentos ou paixões. Com o tempo, a excitação e a euforia vão diminuir, as verdadeiras faces dos envolvidos serão apresentadas e o final da história é imaginável.
Como existem várias pessoas ideais para cada ser humano – apesar de não ser fácil encontrá-las –, existem vários potenciais amores no mundo. Ao encontrar um, você encontrou o outro. Ou seja, a dificuldade é a mesma. A esperança também.

Existe amor à primeira vista? Não. Existe encantamento à primeira vista. Como dito, o amor é o ápice de um relacionamento. Por isso é preciso cultivar o sentimento e a relação, e, de tempos em tempos, reacender a paixão. Obviamente, é um trabalho em conjunto.
O amor é eterno? Pode ser. Da mesma forma a relação. Não confunda o sentimento com o relacionamento. É possível que o namoro/casamento termine e o amor continue. Você já deve ter visto casos em que um casal se ama profundamente, mas não consegue ficar unido. Também é possível que o amor diminua ou até mesmo se torne ódio. Depende de como o casal vai gerenciar tudo.
É possível amar mais de uma pessoa? Sim, é possível. E não se trata do amor Ágape ou do Phileo, é o Eros mesmo. Contudo, não na mesma medida e intensidade, ou ao mesmo tempo. O amor, mais do que um sentimento, é uma ação. O ato de escolher alguém em detrimento a várias outras é uma prova de amor. A verdade é que o sentimento pelos amores antigos muda com o tempo, tornando-se amor pelo ser humano e não amor pelo homem/mulher com quem um dia se relacionou.

O amor é um sentimento tão incrível! Ele se instala aos poucos, com o tempo, muitas vezes imperceptivelmente. Talvez ele seja percebido apenas quando alguma situação o colocar à prova, e nessa hora você vai se surpreender ao se descobrir amando. Ele não está em grandes declarações, está nos pequenos detalhes. Como dito, o amor é mais racional. Você sabe que pode viver sem a outra pessoa e que sua felicidade deve vir em primeiro lugar. Não significa que o amor é egoísta, mas você sabe que se não estiver feliz, não poderá fazer o outro feliz. Talvez você perceba que é melhor abrir mão dessa relação para que seu parceiro se realize completamente em outra.
O amor é tão complexo que não existem palavras para descrevê-lo. Apenas quem verdadeiramente o vive sabe o quão especial ele é. Sem mais.
Observação: Nem preciso indicar nada, afinal, o amor é o sentimento mais discutido no mundo.
Próximo post: Famosa Alma Gêmea
domingo, 17 de abril de 2011
Ah, o Amor! [4/10]



domingo, 10 de abril de 2011
Ah, o Amor! [3/10]




domingo, 3 de abril de 2011
Ah, o Amor! [2/10]





terça-feira, 29 de março de 2011
Ah, o Amor! [1/10]




sexta-feira, 11 de março de 2011
Salto Mortal

Entretanto, este post não é para falar do travesseiro extra. Quis apenas começar com uma comparação. Se a quantidade de leitores representasse qualidade, eu nunca faria um post sobre um livro que atualmente, na mesma rede social, tem uma comunidade com apenas 10 membros.

A falta de reconhecimento não é à toa. Trata-se de um livro que não foi divulgado. Praticamente não existem informações sobre o processo de escrita. O que pude encontrar de informações está basicamente neste site (clique AQUI).
Traduzo livremente e resumo: Salto Mortal teria sido escrito, ou pelo menos a primeira parte, em 1948 (a escritora tinha apenas 18 anos, mas parece-me que aos 16 já havia escrito A Espada Encantada, da série Darkover), porém somente foi publicado em 1979, chegando ao Brasil 20 anos depois, pelo selo Bertrand – aparentemente em uma única edição, o que se reflete na dificuldade de encontrar exemplares hoje em dia e no alto custo (por volta de R$80). A demora para lançá-lo nos EUA deve-se ao fato do tema ser bastante polêmico naquele período, quando homossexuais poderiam até mesmo ser presos por se relacionarem com outros homens.
O título original seria The Flyers (Os Voadores), entretanto, o editor achou que soava como uma história relacionada a aeroportos. Assim, mudou o título para o que conhecemos – The Catch Trap (é o nome dado à barra do trapezista-base). Interessante que “catch” significa “pegar, agarrar”, e “trap”, laço do qual não é possível escapar, além de ser uma referência à própria arte: trap(eze). Eu, particularmente, adoro o título da versão brasileira também.
Além disto, o que consegui de informações foi: esse é considerado pela família da Marion seu melhor e mais perfeito livro; e, aparentemente, o livro só teria sido lançado nos Estados Unidos, Inglaterra, Portugal e Brasil, mas existe uma versão em alemão também (Trapez). Creio que não tenha sido lançado em outras línguas, mas por falta de fontes confiáveis, não posso confirmar nada.
Mas afinal, do que tratam as 896 páginas do livro?
A história de amor entre dois trapezistas (homens), em uma época em que a homossexualidade era (muito mais) considerada uma doença e pecado. A saga de cinco gerações de uma família em torno do trapézio, com toda sua união, tradição, disciplina, dores e perdas. Um romance que tem o circo como cenário, com profissionais marginalizados, mas, ainda assim, dedicados a levar o melhor de sua arte ao público.
Resumir o livro como uma história gay é quase uma mutilação. O personagem principal é Tommy Zane, seguido de Mario Santelli. Ou até mesmo poderia ser um casal heterossexual qualquer. Contudo, o protagonista é o trapézio – o coração do livro, o que une (ou afasta) os personagens. É no alto da plataforma onde a ligação acontece, quase como uma relação sexual, segundo a autora.
Os dez anos (boa parte da década de 1940 e começo da década de 1950) e o local (colecionar coisas relacionadas ao circo sempre foi um hobbie para Marion) em que a história é destrinchada dão o tom à história. A família de trapezistas – Os Santelli Voadores – e a de Tommy, cujo pai é domador de leões, trabalham no mesmo circo, de segunda qualidade, onde todos são considerados “diferentes” apenas pelo ofício nômade. [E o engraçado é perceber a hipocrisia ao sentirem-se superiores aos saltimbancos.]
Tommy Zane (ou Tom), cujo olhar Marion privilegia, é um jovem de 14 anos que sempre sonhou em voar. Tem um coração puro e bondoso (a ponto de não guardar mágoas nem mesmo das piores humilhações), desde sempre é responsável, profissional, “adulto” e disposto a se doar por quem ama. Ele vê em Mario Santelli (ou Matt), no início do livro com 20 anos, um ídolo, um modelo e, com o tempo, um amor.
Matt é temperamental e costuma ser explosivo, difícil de lidar em alguns momentos. Contudo, tudo não passa do reflexo de problemas emocionais internos, e somente no final do livro conseguirá descobrir a solução e se livrar deles. Ele acolhe Tom a princípio como um irmão mais novo, um pupilo. E quando um sentimento maior começa a despertar e a se tornar ações, ao mesmo tempo em que ele deseja Tommy, sente-se culpado.
Alguns criticam a autora por uma possível incitação à pedofilia, já que Tommy tem sua primeira relação com Matt muito jovem. Os mais fanáticos utilizam inclusive a condenação judicial do ex-marido dela por pedofilia como “prova” de sua inclinação doentia. Uma total bobagem. Primeiro, porque não devemos avaliar a obra pela vida do autor. Segundo, porque eu desafio qualquer um que leu o livro a condenar Matt por suas ações. Tommy em nenhum momento foi levado a fazer o que não queria, inclusive ele poderia tê-lo acusado ou se afastado. E, por fim, creio que Marion quis reforçar a questão de mentor/pupilo, em uma sinergia tão profunda e forte que se torna emocional. Algumas vezes, inclusive, os gregos são citados na obra, já que jovens da Grécia Antiga ficavam com homens mais velhos para ter um modelo de bravura e virilidade. Um desonrar ao outro seria algo impensável. Creio que esta é a ligação estabelecida pela autora.
Polêmicas à parte, é um livro espetacular que nos transporta para o universo circense e nos traz imagens nítidas até mesmo dos mais complicados movimentos do trapézio. A tensão a cada voo, a cada salto mortal (o salto triplo na época era pouco realizado, e matou ou feriu a muitos) se torna física no leitor.
Os personagens são de uma complexidade ímpar. Envolvemo-nos com cada um deles. Mesmo ocultos, passamos a fazer parte da família Santelli e a respeitar a tradição que os tornou os melhores voadores.
Durante e após a 2ª Guerra Mundial, em uma época em que o impossível começava a ser questionado (a televisão acabaria com o espetáculo circense ao vivo? O homem algum dia pisaria na lua?), Matt desafiava a gravidade e buscava ser o terceiro homem a fazer o salto triplo. No alto do trapézio seu pescoço estava em jogo, e desde sempre ele e Tommy perceberam que qualquer problema deveria ser deixado do lado de fora da plataforma. A única promessa eternamente cumprida.
Ambos também desafiavam as regras da moral e do pudor da época ao ficarem juntos. O amor deles era enorme, mas a devoção de um ao outro, maior ainda, era inquebrável. Por isso não é apenas um romance. Muito mais que sexo e beijos escondidos, eles eram mais do que a soma das partes, eles formavam um único ser no picadeiro – um mesmo coração.
O livro não é perfeito (algum é?), há algumas frases repetidas que costumam incomodar o leitor, e a tradução contém alguns erros de gramática. Há quem diga que o livro é muito extenso e várias páginas poderiam ser cortadas sem fazer falta. Eu discordo. Nunca 900 páginas me pareceram tão pouco. O livro aborda muito da rotina do trapézio e essa sensação só poderia ser transmitida através da constância de algumas situações. E mesmo que o final seja um pouco previsível, é impossível não se sentir tocado e mexido com essa leitura. Ao final do livro, talvez uma má impressão (assim como a má sorte) seja melhor do que nenhuma.

A leitura do livro pode trazer inúmeras questões a debate e muitas lições podem ser apreendidas. Quanto à homossexualidade, vivemos em uma época bem mais permissiva e menos discriminatória (o preconceito, porém, ainda está enraizado). Contudo, o livro nos leva a refletir sobre questões que nunca mudam: a descoberta da sexualidade, aceitação (pessoal e por parte dos outros), e a vida “no armário” ou fora dele e todas as suas consequências.
Um texto do Teddy Pig (leia AQUI) exalta alguns pontos interessantes, então traduzo abaixo. Algumas das lições são:
- Somente porque você se apaixona por uma pessoa mais velha não significa que a idade vai, automaticamente, tornar o outro o mais maduro das duas partes envolvidas;
- Violência, eventualmente, irá destruir qualquer relacionamento e mais provavelmente sua vida;
- Sexualidade deve ser uma extensão de sua vida e não o foco dela;
- Somente porque você pode ter relações sexuais com uma mulher não significa que você deveria, e ter um filho não faz de você um heterossexual;
- Não importa o quão desesperada e dolorosa a vida se torna porque você é honesto sobre sua sexualidade e sobre quem você é, aceite que você irá sobreviver e ser melhor por causa disso.
Quer ter uma boa leitura (seja você hétero ou gay) ou quer ler um livro especificamente com personagens homossexuais?
O Terceiro Travesseiro? É bom.
Salto Mortal? É indispensável!
Na literatura LGBT eu já encontrei meu Shakespeare, meu Os Lusíadas, meu Cien Años de Soledad. E é tão mais do que isso, que não cabe não no rótulo “gay”. Fora a Bíblia, até agora não li nada tão especial como Salto Mortal. E fico triste ao saber que poucos tiveram o prazer de lê-lo, privilegiando livros tão inferiores, como O Terceiro Travesseiro, que, como me disse um amigo, se torna quase um livro pornô comparado ao Salto.
É... acho que é o meu livro favorito mesmo.
Observações
- Você pode fazer o download da versão doc do livro em português de Portugal AQUI.
- Agradecimento especial: ao meu amigo João Lucas, do blog Got Trouble, quem me apresentou essa incrível história. Obrigado!